Juros futuros fecham com altas firmes em dia de aversão a risco

Sexta-feira foi típico dia de fuga do risco, com índices de ações em queda ao redor do mundo, rendimentos dos Treasuries em baixa e dólar avançando ante boa parte das demais divisas

Reuters
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As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) fecharam a sexta-feira (17) com altas firmes, próximas de 20 pontos-base em alguns vencimentos, em uma sessão de aversão a risco nos mercados globais e ajustes técnicos no Brasil.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,1%, com alta de 20 pontos-base ante o ajuste de 13,905% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,585%, com elevação de 17 pontos-base ante 14,42%.

Na semana, as taxas acumularam altas de 24 e 32 pontos-base, respectivamente.

A sexta-feira foi um típico dia de "risk-off" (fuga do risco), com os índices de ações em queda ao redor do mundo, os rendimentos dos Treasuries em baixa e o dólar avançando ante boa parte das demais divisas. O petróleo Brent também voltou a subir, para a faixa dos US$ 87 o barril.

Um dos fatores de pressão foi novamente a guerra no Oriente Médio, com os EUA intensificando a campanha de bombardeios contra o Irã, tendo atingido pontes e um aeroporto.

O Irã respondeu com ataques a bases norte-americanas na região, incluindo um centro de comando de operações especiais em al-Tanf, na Síria. Foi o primeiro ataque iraniano conhecido ao território sírio desde que começou a guerra.

Com a geopolítica no radar, investidores também liquidaram posições em ações de fabricantes de chips e demais empresas ligadas à inteligência artificial, em meio a dúvidas sobre a sustentabilidade dos investimentos do setor.

No Brasil, essa aversão a risco se traduziu na alta do dólar ante o real durante todo o dia e no avanço das taxas dos DIs. Às 16h16, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a máxima intradia de 14,125% (+22 pontos-base), para depois fechar pouco abaixo disso.

Pela manhã, o Banco Central informou que seu IBC-Br (Índice de Atividade), considerado uma espécie de prévia do PIB (Produto Interno Bruto), subiu 0,1% em maio na série com ajuste sazonal, desacelerando ante a alta revisada de 0,4% em abril.

Economistas ouvidos em pesquisa da Reuters projetavam resultado zero em maio. Em relação a maio de 2025, o IBC-Br avançou 0,8% na série sem ajuste sazonal.

Dois profissionais ouvidos pela Reuters viram pouca influência do resultado do IBC-Br no movimento da curva.

Um deles pontuou que, além do efeito risk-off global, as taxas eram impactadas por ajustes de alta após terem cedido nas últimas semanas.

O economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, destacou em análise distribuída durante a manhã que, de fato, "no acumulado de 30 dias úteis, houve forte alívio nas taxas".

"O vértice DI Jan27 recuou 42,2 bps e as LTNs curtas acompanharam o movimento", citou.

Conforme levantamento do BTG, a taxa do DI para janeiro de 2028 cedeu 47 pontos-base nos 30 dias úteis anteriores. Nesta sexta-feira, ela subiu 20 pontos-base.

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