Ibovespa fecha acima de 197 mil pontos em novo recorde; dólar cai a R$ 5,01
Otimismo em relação ao cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã voltou a impulsionar os ativos brasileiros, ainda que o Estreito de Ormuz siga travado

O Ibovespa fechou acima de 197 mil pontos pela primeira vez nesta sexta-feira (10), no terceiro dia seguido de recorde, em meio ao ambiente externo relativamente calmo, com agentes financeiros na expectativa de negociações entre autoridades dos Estados Unidos e do Irã a partir de sábado.
O Ibovespa fechou em alta de 1,12%, aos 197.323,87 pontos. Na semana, o índice avançou 4,93%.
O principal índice da bolsa marcou 197.553,64 na máxima, novo topo intradia. Na mínima, registrou 195.129,25 pontos.
O volume financeiro nesta sexta-feira somou R$ 33,7 bilhões.
Já o dólar à vista fechou em queda de 1,03%, cotado a R$ 5,010 na venda - menor cotação em dois anos.
O dólar iniciou o dia em leve baixa ante o real, mas acelerou a queda durante a manhã, se aproximando de R$ 5,00, uma cotação que não era vista desde abril de 2024, em meio ao recuo da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas no exterior.
Na semana, a moeda acumula queda de 2,90% e, no ano, queda de 8,72%.
"A redução da aversão ao risco com expectativa de cessar-fogo e recuo do DXY (índice do dólar) para abaixo de 100 provocaram alta do real nos últimos dias, que se aproximou da maior cotação do ano", destacou José Faria Júnior, diretor da consultoria Wagner Investimentos, em análise a clientes.
"O dólar ainda tem espaço para cair um pouco mais a depender do movimento do DXY", acrescentou.
O Estreito de Ormuz permanece fechado e Israel trocou disparos com o Hezbollah no Líbano nesta sexta-feira, na véspera das primeiras negociações de paz da guerra, na capital paquistanesa, Islamabad.
De acordo com estrategistas do Citi, embora ainda existam muitas incertezas, é positivo o fato de os EUA e o Irã terem encontrado um caminho para reduzir as tensões.
"Claramente, não será um caminho linear até um acordo. Investidores reduziram o risco de forma muito significativa e podem voltar a aumentá-lo caso o cessar-fogo continue, em grande parte, no rumo esperado", pontuaram em comentário a clientes.
A pauta macroeconômica brasileira também ocupou as atenções, com o IPCA de março subindo ao maior avanço em cerca de um ano, superando as previsões de economistas.
"Embora uma leitura cheia ruim, e que limita o Copom no curto prazo, parte significativa da surpresa altista veio de itens como combustíveis, refletindo impacto direto do choque dos preços do petróleo", ponderou o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri.
"Se de fato houver a normalização destes preços, com um acordo de paz para o conflito, é razoável esperar a reversão destes preços (que pesaram no IPCA)", acrescentou.
Inflação no Brasil
A inflação ao consumidor brasileiro acelerou em março. No mês, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), avançou 0,88%, resultado acima das expectativas dos analistas consultados pela Reuters, que previam alta de 0,77%.
O resultado é o primeiro que já contabiliza os efeitos da guerra no Oriente Médio. O conflito causou o fechamento do Estreito de Ormuz e, consequentemente, a disparada dos preços do petróleo, o que pressiona o custo dos combustíveis globalmente.
*Com informações da Reuters


