Ibovespa fecha em alta em dia de "superquarta"; dólar sobe a R$ 5,46
O Fed reduziu a taxa de juros em 25 pontos-base; mercado aguarda a decisão do Banco Central brasileiro

O Ibovespa, principal referência do mercado financeiro, operou durante grande parte do pregão em alta e fechou o dia com valorização nesta quarta-feira (10), após o Federal Reserve (Banco Central americano) reduzir os juros dos Estados Unidos.
O Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) cortou a taxa de juros dos EUA em 25 pontos-base, levando ao intervalo de 3,5% a 3,75%.
A redução mínima dos juros americanos já era esperada. Momentos antes do anúncio da decisão, o mercado precificava o corte de 25 pbs (pontos-base) com probabilidade de 90%, segundo dados do CME Group.
No Brasil, as expectativas apontam para a manutenção da Selic em 15% e o foco está voltado ao comunicado e sinais sobre os próximos passos. A decisão do Banco Central é divulgada após o fechamento da bolsa.
Mais cedo, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou os dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) que subiu em 0,18% no mês de novembro. O índice teve uma alta de 0,09% no mês anterior e no acumulado de 12 meses o indicador também registrou um aumento de 4,46%
O Ibovespa fechou o dia em alta de 0,69%, aos 159.074 pontos.
O dólar à vista encerrou o dia com valorização de 0,49%, aos R$ 5,4675. No ano, porém, a divisa acumula perdas de 11,51%.
A moeda norte-americana teve a cotação contaminada pelas movimentações políticas visando a eleição de 2026 no Brasil, enquanto no exterior a moeda cedia na esteira do corte de juros pelo Federal Reserve.
Os investidores também monitoraram movimentações políticas em Brasília após a Câmara ter aprovado projeto que reduz as penas dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado.
Fed corta juros dos EUA
A redução mínima dos juros americanos já era esperada. Momentos antes do anúncio da decisão, o mercado precificava o corte de 25 pbs (pontos-base) com probabilidade de 90%, segundo dados do CME Group.
A principal expectativa recaía sobre a divisão entre os membros da autoridade monetária dos Estados Unidos. Na reunião anterior, em que a taxa-alvo passou para 3,75% a 4,00%, a decisão já não foi unânime. Stephen I. Miran preferiu cortar os juros em 50 pbs, em vez de 25 pbs, enquanto Jeffrey R. Schmid optou pela manutenção da taxa acima de 4%.
Desta vez, a dissidência aumentou. Austan D. Goolsbee se juntou a Schmid e votou para manter os juros no intervalo atual, sem cortar em 25 pontos-base. Isso significa que o pêndulo da decisão passa a ficar mais forte na manutenção da taxa de referência, enquanto há pressão da Casa Branca para que o Fed continue o ritmo de cortes.
IPCA de novembro
Nos últimos 12 meses, o índice ficou em 4,46%, de volta à tolerância da meta oficial do BC (Banco Central), que é de 3% com limite de 4,5%.
Segundo a economista, os resultados positivos do IPCA “pavimentam mais o caminho para uma queda nos juros em breve”.
O retorno da inflação para dentro do teto da meta oficial é muito positivo e mostra que a política monetária tem surgido efeito sobre a economia, sendo que as condições atuais possibilitam a queda imediata da Selic, explica.
André Braz, coordenador de Índices de Preços na FGV (Fundação Getúlio Vargas), considera também o retorno do IPCA para dentro do teto da meta um marco importante. Segundo ele, resultado foi puxado pela queda no preço dos alimentos, além da valorização do real frente ao dólar.
Para 2026, por outro lado, um fator de preocupação do Copom é consumo das famílias, devido à aprovação do projeto de isenção do IR (Imposto de Renda), o que deve manter a atitude conservadora do Banco Central, explica Argenta.
* Com informações da Reuters


