Ibovespa fecha em alta com fim da guerra no radar; dólar cai a R$ 5,15

Mercado mantém as atenções às falas do presidente Donald Trump que sinalizou término do conflito no Oriente Médio em breve

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
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O Ibovespa fechou em alta de mais de 1% nesta terça-feira (10), endossado pela trégua global na aversão a risco e sustentado pelas ações dos bancos e da Vale, em meio à percepção de menor duração do guerra no Oriente Médio. No noticiário corporativo brasileiro, o destaque foi o acordo do GPA com credores para um plano de recuperação extrajudicial.

A expectativa de que a guerra no Oriente Médio possa ter um desfecho rápido após declarações nesse sentido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez o preço do petróleo em Nova York cair para perto dos US$ 83 o barril, com o otimismo se espalhando pelos mercados globais.

O Ibovespa fechou em alta de 1,40%, aos 183.447,00 pontos.

O principal índice da bolsa atingiu 180.692,83 pontos na mínima e marcou 185.323,62 pontos na máxima do dia. O volume financeiro somou R$ 31,3 bilhões.

De acordo com a equipe da Ágora Investimentos, a queda do preço do petróleo melhorou o apetite a risco.

"A combinação de exterior mais favorável e minério em alta tende a sustentar o Ibovespa, ainda que a queda do petróleo pressione ações ligadas ao setor de energia", afirmou em relatório a clientes.

Já o dólar, após recuar para a faixa dos R$ 5,13 mais cedo, ganhou força na reta final e fechou a terça-feira praticamente estável no Brasil, com investidores reagindo negativamente a notícias de que o Irã pode instalar minas no Estreito de Ormuz, por onde são transportados 20% do petróleo mundial.

O dólar à vista fechou com  baixa de 0,14%, cotado a R$ 5,1582 na venda. No ano, a divisa passou a acumular queda de 6,03% ante o real.

Petróleo em queda

Os preços do petróleo fecharam em forte queda nesta terça-feira, depois de atingirem a maior alta desde 2022 na véspera, ​à medida que o presidente dos EUA, Donald Trump, previu ​que a guerra no Oriente Médio poderia terminar em breve, aliviando as preocupações com interrupções prolongadas no abastecimento global de petróleo.

Os contratos futuros do Brent fecharam em queda de 11,28%, para US$ 87,80 o barril. Já o petróleo WTI, referencia no mercado americano, caiu 11,94%, a US$ 83,45 o barril.

Nem a afirmação da Guarda Revolucionária do Irã de que decidirá sobre fim da guerra e a ameaça de que irá interromper exportações regionais de petróleo se ataques continuarem evitaram a forte correção nos preços da commodity.

O petróleo ultrapassou os US$ 100 por barril na segunda-feira (9), atingindo o valor mais alto desde meados de 2022, ⁠com os cortes de oferta da Arábia ​Saudita e de outros produtores durante a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, ​que se expandiu, alimentando temores de grandes interrupções no fornecimento global.

A disparada das cotações da commodity desde os primeiros ataques dos EUA e Israel contra o Irã em 28 de dezembro vinha adicionando preocupações sobre a inflação e seus reflexos nas políticas monetárias no mundo, em particular nos EUA.

De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz, a fala de Trump de que a guerra está próxima do fim amenizou temores sobre a duração do conflito, derrubando os preços do petróleo e reverberando em outros mercados.

"O mercado interpretou tal feito como um bom sinal, o que ajudou a reduzir a volatilidade", afirmou, citando ainda notícia envolvendo o Estreito de Ormuz.

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse nesta terça-feira que a Marinha norte-americana escoltou com sucesso um petroleiro pelo Estreito de Ormuz "para garantir que o petróleo continue fluindo para os mercados globais".

Queiroz ressaltou, porém, que investidores continuam acompanhando os desdobramentos da situação no Oriente Médio e analisando as possibilidades de fato sobre o fim do conflito.

*Com informações da Reuters

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