Ibovespa fecha estável com cortes de juros no radar; dólar cai a R$ 5,40
Apesar do Copom assumir um tom cauteloso, mercado espera que a Selic comece a cair no primeiro trimestre de 2026

O Ibovespa fechou em leve alta o pregão desta quinta-feira (11), um dia após o Copom anunciar a manutenção da Selic em 15% ao ano. O comunicado do Banco Central (BC) reforçou que os juros devem permanecer alta por "período bastante prolongado". O mercado ainda digere a falta de sinalizações do BC sobre o início do clico queda de juros, mas mantém a expectativa de que a Selic deve começar a cair no primeiro trimestre de 2026.
No mesmo dia, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) cortou os juros dos EUA em 0,25 ponto percentual, levando taxa para o intervalo de 3,5% a 3,75%.
O principal índice da bolsa abriu o dia em queda, reverteu o sinal no fim da manhã e testou uma alta tímida durante o dia após a decisão de política monetária no Brasil e nos EUA.
O Ibovespa fechou em leve alta de 0,07%, aos 159.189 pontos.
O dólar, por sua vez, encerrou o dia em forte queda contra o real nesta quinta-feira (11), em um movimento de correção, enquanto os investidores digeriram as decisões de juros do Copom e do Federal Reserve e a moeda norte-americana perdia força no exterior.
O dólar à vista fechou em queda de 1,08%, aos R$ 5,4086 na venda.
Copom anuncia Selic em 15% ao ano
A decisão já era esperada pelo mercado, que agora digere o comunicado do Banco Central. Em julho, o BC elevou a Selic para 15% e, desde então, optou pela manutenção do nível três outras vezes. A decisão da reunião de dezembro foi unânime entre os nove diretores votantes.
Os agentes financeiros acreditam que o BC passará a reduzir a Selic no primeiro trimestre de 2026, na reunião do Copom de janeiro ou na de março. A projeção é corroborada por macroeconômicos recentes, que foram positivos para um possível corte de juros no começo do ano que vem.
Fed corta juros dos EUA em 0,25%
A redução mínima dos juros americanos já era esperada. Momentos antes do anúncio da decisão, o mercado precificava o corte de 0.25 ponto, com probabilidade de 90%, segundo dados do CME Group.
A principal expectativa recaía sobre a divisão entre os membros da autoridade monetária dos Estados Unidos. Na reunião anterior, em que a taxa-alvo passou para 3,75% a 4,00%, a decisão já não foi unânime. Stephen I. Miran preferiu cortar os juros em 50 pbs, em vez de 25 pbs, enquanto Jeffrey R. Schmid optou pela manutenção da taxa acima de 4%.
Desta vez, a dissidência aumentou. Austan D. Goolsbee se juntou a Schmid e votou para manter os juros no intervalo atual, sem cortar em 0,25 ponto. Isso significa que o pêndulo da decisão passa a ficar mais forte na manutenção da taxa de referência, enquanto há pressão da Casa Branca para que o Fed continue o ritmo de cortes.
*Com informações da Reuters


