Ibovespa fecha acima dos 189 mil pontos pela 1ª vez; dólar cai a R$ 5,18

Novo recorde da bolsa é tracionado pelas blue chips Vale, Petrobras e Itaú Unibanco, em meio ao fluxo de capital estrangeiro para as ações brasileiras

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
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O Ibovespa fechou em alta de 2% nesta quarta-feira (11), acima dos 189 mil pontos pela primeira vez, em movimento tracionado pelas blue chips como Vale, Petrobras e Itaú Unibanco, na esteira do persistente fluxo de capital estrangeiro para as ações brasileiras - este é o 11º fechamento em recorde do índice em 2026.

Investidores repercutirem ao longo do dia a nova pesquisa eleitoral, o discurso de Gabriel Galípolo de que o Banco Central fará "movimentos comedidos", os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos e a expectativa com a temporada de balanços.

O Ibovespa fechou em alta de 2,03%, aos 189.699,12 pontos.

 

O principal índice da bolsou marcou 190.561,18 no melhor momento, novo recorde intradia, após superar na sessão os 188 mil e os 189 mil pontos pela primeira vez. Na mínima, registrou 185.936,27 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$ 38,6 bilhões.

O forte fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira foi mais uma vez decisivo para a queda do dólar ante o real nesta quarta-feira, em movimento que esteve em sintonia com recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior.

O dólar à vista fechou o dia com queda de 0,20%, cotado a R$ 5,1872 - no ano, a moeda acumula agora baixa de 5,50%.

Dados da B3 sobre a movimentação dos investidores estrangeiros mostram uma entrada líquida de quase R$ 4,2 bilhões em fevereiro até o dia 9, após um saldo positivo de R$ 26,3 bilhões em janeiro. Em todo o ano passado, houve um superávit de quase R$ 25,5 bilhões.

Esse fluxo é responsável por grande parte da performance observada na bolsa paulista neste ano, afirmou o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz. "O estrangeiro está olhando com bons olhos para o Brasil", disse, chamando a atenção para a perspectiva de queda da taxa Selic neste ano.

Estrategistas têm afirmado que a entrada de estrangeiros na bolsa paulista reflete um movimento de rotação global de ativos, saindo principalmente dos Estados Unidos, que tem beneficiado mercados emergentes como o Brasil.

Em 2026, o Ibovespa já acumula uma valorização de 13,6%, tendo renovado vários recordes.

Na visão do estrategista de investimentos Nicolas Gass, sócio da GT Capital, o desempenho do Ibovespa nesta sessão também esteve relacionado à nova pesquisa eleitoral Genial/Quaest, que mostrou redução na diferença entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). "O mercado interpretou esse movimento como positivo", afirmou.

De acordo com o levantamento, nos sete cenários de primeiro turno simulados, Lula teria entre 35% e 39% das intenções de voto, enquanto Flávio soma entre 29% e 33%. Em um segundo turno entre ambos, Lula teria 43%, ante 45% de janeiro, e Flávio somaria 38%, mesmo patamar da pesquisa anterior.

O mercado também analisou de forma positiva as falas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento em São Paulo - Galípolo disse que o BC fará "movimentos comedidos" e que “serenidade” é a palavra-chave para os próximos passos.

Investidores repercutiram ainda os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que mostraram a criação de 130 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola em janeiro, bem acima do esperado, enquanto a taxa de desemprego caiu a 4,3%.

Na visão da economista Andressa Durão, do ASA, os números apontam para uma reaceleração do mercado de trabalho, mais compatível com a atividade econômica forte.

"O conjunto dos dados continua sugerindo que a taxa de juros deve permanecer parada em território levemente restritivo, já que o mercado de trabalho deixou de ser um risco baixista e pode voltar a se tornar um risco altista para a inflação", avaliou.

Cenário eleitoral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera seis dos sete cenários testados por pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (11).

Na primeira simulação, contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), Lula tem 35% das intenções de voto, contra 29% do sucessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na sequência, aparecem o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), com 8%, e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 4%. O coordenador do MBL, Renan Santos (Missão) e o ex-ministro Aldo Rebelo (DC) empatam em 1%.

A pesquisa também aponta os índices de rejeição dos candidatos. De acordo com a Genial/Quaest, no índice de “conhece e não votaria”, Lula registra 55%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 54%.

BC comedido e sereno

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou em evento na capital paulista, nesta quarta-feira (11), que o Copom (Comitê de Política Monetária) fará “movimentos comedidos” no ciclo de corte na taxa Selic — que deve ser iniciado na próxima reunião do colegiado, em março.

Galípolo definiu o BC como um “transatlântico”, que não poderia fazer grandes mudanças de rota. E afirmou que “serenidade” é a palavra-chave para os próximos passos do BC. Hoje a taxa básica de juro da economia está em 15% ao ano, maior patamar em duas décadas.

Dados dos EUA

A criação de vagas de trabalho nos Estados Unidos acelerou em janeiro e a taxa de desemprego caiu para 4,3%, ante 4,4% em dezembro, de acordo com informações divulgadas pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho norte-americano nesta quarta-feira (11). Os analistas esperavam que a taxa ficasse estável.

A economia dos EUA abriu 130.000 postos de trabalho fora do setor agrícola no mês passado, quase o dobro do esperado por analistas, após 48.000 em dezembro em dado revisado para baixo.

Economistas consultados pela Reuters previam abertura de 70.000 postos.

*Com informações da Reuters

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