Ibovespa fecha em queda, mas tem 1º ganho semanal desde abril; dólar cai
Índice é pressionado negativamente pelas ações da Petrobras, enquanto investidores seguem atentos ao cenário geopolítico e a inflação

O Ibovespa fechou em queda modesta nesta sexta-feira (12), ditado principalmente pela queda das ações da Petrobras, mas assegurou a primeira alta semanal desde abril.
A última sessão da semana não teve uma direção única, com investidores atentos ao noticiário geopolítico e à estreia das ações da SpaceX após o maior IPO da história, mas também repercutindo dados de inflação no Brasil.
O Ibovespa fechou com baixa de 0,21%, aos 171.132,66 mil pontos.
Na semana, o Ibovespa acumulou uma alta de 1,25%, encerrando uma série de oito perdas semanais, a maior sequência na série histórica, conforme dados da LSEG.
Já o dólar à vista fechou o dia com baixa de 0,76%, aos R$ 5,0610. Na semana, a divisa acumulou baixa de 1,83% e, no ano, queda de 7,80% ante o real.
O dólar fechou a sexta-feira em queda no Brasil e novamente abaixo dos R$ 5,10, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, em meio à esperança de que um acordo seja finalmente assinado por Estados Unidos e Irã.
De acordo com Donald Trump, comentários vazados do Irã sobre um acordo com os EUA não representam o que foi acordado.
"O que eles disseram, incluindo sua declaração fraca e patética sobre um possível acordo, não tem nenhuma relação com a verdade. Pessoas muito desonrosas para se negociar. Com eles, não existe negociação de boa fé. INCRÍVEL!", escreveu o republicano no Truth Social.
Trump afirmou na quinta-feira (11) que estava cancelando novos ataques ao Irã porque um acordo havia sido alcançado, enquanto Teerã declarou não ter tomado uma decisão definitiva sobre o pacto.
Os termos do acordo, conforme descritos nesta sexta-feira por autoridades iranianas, parecem oferecer a Teerã grande parte do que o país exigiu até agora, com Trump aparentemente conseguindo pouco do que buscava, além da reabertura do Estreito de Ormuz, que o Irã fechou após ele ordenar ataques em fevereiro.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, também afirmou nesta sexta-feira, em um evento em Houston, que se nenhum acordo for alcançado, as Forças Armadas dos EUA restabelecerão o fluxo no Estreito de Ormuz.
"Apesar dos ruídos ao longo da manhã e das divergências sobre os termos finais do acordo, prevaleceu a percepção de que um entendimento entre Washington e Teerã está mais próximo", afirmou o analista de investimentos Bruno Shahini, da Nomad.
Nesse contexto, os preços do petróleo fecharam a semana com queda de 6%, após atingiram o menor valor em quase dois meses no início do dia.
"A possibilidade de um avanço nas negociações para o encerramento do conflito entre Estados Unidos e Irã pressionou o mercado de petróleo, com o Brent voltando à região dos US$ 90 por barril, e acabou pesando sobre ações como Petrobras", destacou o especialista em investimentos Josias Bento, sócio da GT Capital.
Investidores da bolsa paulista também analisavam nesta sessão dados de inflação no país. De acordo com o IBGE, o IPCA teve alta de 0,58% em maio, depois de subir 0,67% em abril. Pesquisa da Reuters apontava avanço de 0,53%.
Em 12 meses, o índice avançou 4,72% em maio, de 4,39% em abril e expectativa de 4,66%.
Assim, a inflação em 12 meses voltou a superar o teto da meta de inflação pela primeira vez desde outubro de 2025 (4,68%). A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
"O cenário inflacionário segue preocupante para o Banco Central, que deve encerrar o ciclo de corte de juros na reunião da semana que vem", afirmou o economista Leonardo Costa, do ASA.
"Além da preocupação com a inflação corrente, também influenciam o fim do ciclo de corte de juros o cenário externo mais complexo e expectativas de inflação em alta."
*Com informações da Reuters


