Ibovespa fecha em queda de 2% com aversão ao risco; dólar sobe a R$ 5,24

Principal índice da bolsa foi pressionado principalmente pelas preocupações relacionadas ao conflito no Oriente Médio, depois que o preço do barril de petróleo superou US$ 100

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
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O Ibovespa fechou em queda superior a 2% nesta quinta-feira (12), abaixo de 180 mil pontos, contaminado pela aversão global ao risco e pressionado principalmente pelas preocupações relacionadas ao conflito no Oriente Médio, depois que o preço do barril de petróleo superou US$ 100.

Diante do cenário, o governo federal decidiu zerar o PIS e Cofins do preço do diesel para conter a alta do combustível. A medida tem como objetivo reduzir o impacto da oscilação do preço internacional do petróleo sobre o diesel no Brasil.

O Ibovespa fechou em queda de 2,55%, aos 179.284,49 pontos - anulando as altas dos últimos três pregões.

O principal índice da bolsa marcou 178.494,99 pontos na mínima e 183.991,88 pontos na máxima do dia. O volume financeiro somou R$ 35,46 bilhões.

No noticiário corporativo, os investidores repercutiram uma bateria de balanços, incluindo os números de Yduqs, Cogna, Vibra, CSN Mineração, e Brava Energia.

O mercado também avaliou os dados do IPCA de fevereiro, que apresentaram alta de 0,70%, com impulso dos custos da educação, de acordo com dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). As atenções agora estão voltadas para a decisão do Banco Central na próxima semana.

Já o dólar à vista fechou com alta de 1,69%, cotado a R$ 5,2464 na venda - no ano, a divisa acumula agora queda de 4,42% ante o real.

A intensificando do discurso do Irã e os ataques contra alvos dos EUA e de Israel disparou a busca pela proteção do dólar em todo o mundo, fazendo a moeda norte-americana registrar alta firme no Brasil.

O avanço do dólar ante o real ficou em sintonia com o avanço forte da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.

A escalada da guerra no Oriente Médio atua diretamente na alta dos preços de petróleo, promovendo também maiores temores inflacionários. Com o fechamento do principal canal para a comercialização da commodity, o Estreito de Ormuz, a pressão no fornecimento para outros países se torna cada vez maior.

O barril do petróleo sob o contrato Brent superou os US$ 100 em meio a preocupações com um conflito prolongado no Oriente Médio e possíveis interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

Nesta quinta-feira, o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou que o Estreito de Ormuz, rota de comércio de energia mais importante do mundo, deve permanecer fechado como forma de pressão.

Petróleo em disparada

Os preços dos petróleo seguiu em disparada nesta quinta-feira (12), com o barril sendo cotado próximo aos US$ 100, em meio a preocupações com um conflito prolongado no Oriente Médio e possíveis interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril fechou em alta de 9,74% (US$ 8,48), a US$ 95,73 o barril.

Já o Brent para maio subiu 9,21% (US$ 8,48), a US$ 100,46 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).

A intensificação da guerra no Oriente Médio atua diretamente na alta dos preços de petróleo, promovendo também maiores temores inflacionários. Com o fechamento do principal canal para a comercialização da commodity, o Estreito de Ormuz, a pressão no fornecimento para outros países se torna cada vez maior.

Nesta quinta-feira, o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou que o Estreito de Ormuz, rota de comércio de energia mais importante do mundo, deve permanecer fechado como forma de pressão.

As mensagens conflitantes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixaram os investidores receosos de serem pegos de surpresa, o que os levou a se afastar ou a buscar refúgio em ativos seguros.

O plano da Agência Internacional de Energia de liberar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas, anunciado na quarta-feira (11), não conseguiu acalmar os investidores.

De acordo com a agência, a guerra no Oriente Médio está criando a maior interrupção no fornecimento de petróleo da história.

Inflação no Brasil

inflação ao consumidor brasileiro acelerou mais do que o esperado em fevereiro e atingiu o nível mais alto em um ano diante do impacto das passagens aéreas e do efeito sazonal do aumento das mensalidades escolares.

O aumento da inflação se deu antes do início da guerra no Oriente Médio, que pode provocar novas pressões sobre os preços, mas em 12 meses a taxa mostrou desaceleração, em dados divulgados a cerca de uma semana da próxima reunião de política monetária do Banco Central.

Em fevereiro, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 0,70%, contra 0,33% em janeiro, resultado que ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 0,65%. Foi a taxa mais alta desde fevereiro de 2025 (1,31%).

Os dados do IBGE divulgados nesta quinta-feira (12) mostraram que a taxa em 12 meses caiu a 3,81%, de 4,44% em janeiro, mas também ficou acima da expectativa de 3,77%.

meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

As atenções agora estão voltadas para a decisão do Banco Central na próxima semana. No comunicado da sua última reunião de política monetária, no final de janeiro, a autarquia havia indicado o início em março de um ciclo de corte na taxa básica de juros Selic, atualmente em 15%.

*Com informações da Reuters 

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