Dólar sobe a R$ 5,40 e bolsa cai após plano de contingência do governo

Destaque desta sessão é a apresentação pelo governo de uma medida provisória com linha de crédito de R$ 30 bilhões para ajudar empresas exportadoras afetadas pela tarifa dos EUA

Da CNN Brasil*
Compartilhar matéria

O Ibovespa fechou o pregão desta quarta-feira (13) em queda, enquanto o dólar tinha leve alta ante o real, conforme investidores monitoravam o anúncio do plano de contingência do governo brasileiro para ajudar empresas afetadas pela tarifa de 50% dos Estados Unidos.

O Ibovespa, referência do mercado acionário, recuou 0,89%, aos 136.687,32 pontos, neste pregão.

O dólar à vista, por sua vez, subiu 0,28%, a R$ 5,4014 na venda.

Plano de contingência e tarifas

O destaque desta sessão foi a apresentação pelo governo de uma medida provisória com linha de crédito de R$ 30 bilhões para ajudar empresas exportadoras afetadas pela tarifa dos EUA. Lula assinou a MP em cerimônia no Palácio do Planalto, às 11h30.

O plano já vinha sendo estudado desde a data em que a tarifa foi anunciada, mas precisou ser recalibrado depois que Trump isentou do tarifaço cerca de 700 produtos – o equivalente a 45% da pauta exportadora do Brasil para os Estados Unidos, segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

O governo tem tido dificuldades em abrir canais para negociar com os EUA. Uma ligação entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que estava agendada para esta quarta-feira, foi desmarcada por Washington.

"Investidores seguem atentos às negociações com os EUA. O adiamento da reunião entre Haddad e o secretário do Tesouro mantém no radar o impacto do tarifaço sobre setores-chave. Ainda assim, observamos um ambiente externo mais favorável", disse João Duarte, especialista em câmbio da One Investimentos.

Apesar dos temores com a questão comercial, o que provocaria uma aversão ao risco, o real tem conseguido recentemente acumular ganhos sobre a divisa dos EUA.

Na terça-feira (12), o dólar fechou em baixa de 1,06%, a R$ 5,3864, alcançando a menor cotação desde 14 de junho de 2024, quando havia atingido R$ 5,3812.

Juros nos EUA

Na esteira desse movimento, estava a consolidação das apostas de que o banco central norte-americano terá espaço para cortar a taxa de juros a partir de setembro, após dados fracos de emprego e números moderados para a inflação ao consumidor.

Operadores já precificam totalmente que o Fed reduzirá os juros em 0,25 ponto percentual no próximo mês, segundo dados da LSEG, com mais um corte da mesma magnitude precificado até a reunião de dezembro.

A perspectiva para a retomada do afrouxamento monetário no Fed tem pressionado a moeda norte-americana nas últimas sessões, uma vez que investidores estrangeiros tendem a considerar o dólar menos atrativo devido a quedas nos rendimentos dos Treasuries.

*Com informações da Reuters

Acompanhe Economia nas Redes Sociais