Ibovespa recupera 164 mil pontos e avança puxado por blue chips; dólar sobe
Cenário geopolítico segue como um dos focos de atenção dos investidores; pesquisa eleitoral e dados dos EUA também estão no radar

O Ibovespa avança e recupera os 164 mil pontos nesta quarta-feira (14) após duas quedas seguidas, o movimento de alta é impulsionado pelas blue chips, como Petrobras, Vale e Itaú Unibanco.
O viés positivo no pregão brasileiro destoa da performance dos principais índices em Wall Street, em queda pelo segundo dia consecutivo, onde dados econômicos e resultados de bancos como Citi e Bank of America também ocupam as atenções de investidores.
Os estrategistas de investimento continuam com visão positiva para Brasil. O BTG Pactual e o Itaú BBA reafirmaram a classificação "overweight" para as ações brasileiras.
"Em nossa visão, à medida que os investidores ganham maior confiança de que o ciclo de afrouxamento monetário está prestes a começar no Brasil, eles devem continuar a aumentar a exposição às ações locais', afirmaram os estrategistas do BTG Pactual, em relatório aos clientes.
Em paralelo, estrategistas do Itaú BBA também afirmaram que seguem "overweight" em Brasil, com uma visão moderadamente positiva para o ano, estabelecendo um preço-alvo para o Ibovespa de 185.000 pontos para o fim de 2026.
Entre os argumentos, Daniel Gewehr e equipe citaram cenário global favorável, com ciclo de cortes do Federal Reserve, fluxos para emergentes e afrouxamento monetário no Brasil à frente, com potencial mudança na perspectiva macro/fiscal.
Às 16h28, o Ibovespa registrava alta de 1,62%, aos 164.598 pontos.
O dólar oscile em baixa ante a maior parte das divisas no exterior, a moeda norte-americana se mantém próxima da estabilidade no Brasil, abaixo dos R$ 5,40.
No fim da manhã, a notícia de que os Estados Unidos vão suspender o processamento de vistos para brasileiros gerou ruído nos mercados brasileiros, mas o efeito foi momentâneo no câmbio e na bolsa de ações.
No mesmo horário, o dólar à vista subia 0,45%, cotado a R$ 5,39 na venda.
Pesquisa eleitoral
No cenário político, o mercado também acompanha o panorama eleitoral brasileiro, que mostrou o presidente Lula como líder na disputa entre ele, o senador Flávio Bolsonaro e governador de São Paulo Tarcísio de Freitas.
De acordo com a pesquisa Genial/Quaest, em um dos cenários estimulados para o primeiro turno, Lula tem 36% das intenções de voto, o senador Flávio Bolsonaro (PL) soma 23% e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem 9%. A margem de erro é de 2 pontos-percentuais para mais ou para menos.
Nas simulações de segundo turno, Lula vence Tarcísio por 44% a 39% e supera Flávio por 45% a 38%.
Embora o levantamento mostre que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceria todos os cenários testados para a eleição de 2026, o mercado reage à redução da diferença entre Lula e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em um eventual segundo turno.
A vantagem de Lula sobre Flávio caiu de 10 para 7 pontos, enquanto a diferença em relação a Tarcísio foi reduzida de 10 para 5 pontos.
Dados dos EUA
No campo econômico, foi divulgada uma bateria de dados nos Estados Unidos durante a manhã. As vendas no varejo subiram 0,6% em novembro, acima da expectativa de 0,4% em pesquisa da Reuters, e os preços ao produtor para a demanda final avançaram 0,2% em novembro, em linha com o esperado.
Já as vendas de moradias usadas aumentaram 5,1% em dezembro, atingindo uma taxa anual ajustada sazonalmente de 4,35 milhões de unidades, ante projeção dos economistas de 4,21 milhões de unidades. Os estoques empresariais subiram 0,3% em outubro, ante projeção de 0,2%.
Às 16h, os investidores estarão atentos à divulgação do Livro Bege do Federal Reserve.
Fed no foco
As autoridades do Federal Reserve também seguem no radar nesta quarta-feira.
Em evento nos EUA, a presidente do Federal Reserve da Filadélfia, Anna Paulson, reiterou pela manhã sua expectativa de que o banco central possa reduzir as taxas de juros de curto prazo ainda este ano, caso a economia atenda às suas expectativas de moderação da inflação e estabilização do mercado de trabalho.
O presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, não quis reduzir as taxas de juros no mês passado e não vê necessidade de cortá-las tão cedo, dada a resiliência do mercado de trabalho e a inflação acima da meta, informou o New York Times.
Tensão geopolítica
O cenário geopolítico segue como um dos focos de atenção dos investidores, em meio ao interesse dos Estados Unidos pela Groenlândia e às ameaças do presidente americano, Donald Trump, ao Irã.
Apesar do maior apetite ao risco, o cenário internacional ainda inspira cautela, o que tem impulsionado os preços do ouro e traz volatilidade aos mercados acionários globais.
*Com informações da Reuters


