Ibovespa fecha em alta de 1% com juros no radar; dólar vai a R$ 5,42
Investidores digerem novas projeções do Boletim Focus e dados de atividade econômica divulgados pelo Banco Central

O Ibovespa - principal referência do mercado financeiro - fechou em alta nesta segunda-feira (15), tendo no radar a retração inesperada na atividade econômica brasileira em outubro. Além disso, na pesquisa Focus desta semana, o mercado projetou a Selic menor em 2026 e voltou a reduzir projeção do IPCA.
O principal índice da bolsa encerrou o dia com valorização de 1,07%, aos 162.481 pontos.
Já o dólar, após chegar a oscilar abaixo dos R$ 5,40 pela manhã, ganhou força e fechou a segunda-feira próximo da estabilidade ante o real, com profissionais do mercado citando o tradicional fluxo de saída de recursos do país no fim de ano para justificar o movimento.
A recuperação do dólar no Brasil esteve na contramão do exterior, onde a moeda norte-americana cedeu ante a maior parte das divisas durante o dia.
O dólar à vista encerrou o dia com leve alta de 0,16%, aos R$ 5,4215. No ano, a moeda acumula baixa de 12,26%.
Prévia do PIB recua em outubro
O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), considerado a "prévia" do PIB (Produto Interno Bruto), recuou 0,2% em outubro na comparação com o mês anterior, de acordo com dados do Banco Central divulgados nesta segunda-feira (15). No trimestre, o indicador também registrou um recuo de 0,2%.
No ajuste dessazonalizado do trimestre, o IBC-Br da agropecuária (-1,9%) e da indústria (-0,8%) também apresentaram recuos. Já o IBC-Br de serviços ficou estável.
Quando se avalia o cenário dessazonalizado mensal, o IBC-Br da agropecuária registrou avanço de 3,1%, enquanto indústria (-0,7%) e serviços (-0,2%) apresentaram resultados negativos.
O Ministério da Fazenda projeta que o PIB de 2025 cresça 2,2%. Caso a projeção de confirme, será uma desaceleração em relação a 2024, quando a economia brasileira subiu 3,4%.
Na avaliação da equipe econômica, as projeções são reflexo da taxa básica de juros, a Selic, que está em 15% ao ano, maior patamar desde 2006.
Alívio nos juros e na inflação
Na pesquisa anterior do Focus, o mercado havia elevado a projeção para a taxa de juros no próximo ano.
Referente à inflação, economistas consultados passaram a ver o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em 4,36% em 2025, ante 4,40% na pesquisa anterior. Já para o próximo ano, a estimativa foi reduzida de 4,16% para 4,10%.
Dados dos EUA
Uma série de dados atrasados sobre emprego, inflação e outros indicadores na próxima semana fornecerá uma visão há muito esperada da economia dos Estados Unidos, que poderá ajudar a guiar os mercados até o final do ano.
Os dados que serão divulgados em breve são essenciais, porque investidores e o Federal Reserve, o banco central norte-americano, têm navegado com pouca precisão desde que a paralisação do governo federal por 43 dias adiou relatórios importantes.
O relatório de empregos dos EUA referente a novembro será divulgado na terça-feira (16), enquanto o índice de preços ao consumidor mensal, que é acompanhado de perto pelas tendências da inflação, será divulgado na quinta-feira (18).
*Com informações da Reuters


