Ibovespa fecha em queda, pressionado por baixa do petróleo; dólar sobe

Em meio a expectativas de normalização do transporte no Estreito de Ormuz, petróleo Brent atingiu menor patamar desde 2 de março, puxando papéis da Petrobras

Da CNN Brasil*
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O Ibovespa fechou em queda e abaixo do 170 mil pontos nesta terça-feira (16), ditado principalmente pela queda das ações da Petrobras, em mais uma sessão de recuo dos preços do petróleo no exterior.

A desvalorização da commodity, que voltou a ser negociada abaixo de US$ 80 o barril, pressionou os papéis da estatal, com forte influência na bolsa doméstica, levando a mais uma sessão de perdas no mercado brasileiro.

O Ibovespa encerrou o dia em baixa de 0,45%, a 169.648,47 pontos, após marcar 169.121,31 pontos na mínima e 170.415,52 pontos na máxima do dia.

Já o dólar à vista fechou em alta de 0,45% frente ao real, cotado a R$ 5,089 na venda, em movimento contrário ao observado entre outras moedas de países emergentes, que registraram valorização diante da divisa norte-americana.

Acordo EUA-Irã

No exterior, o barril de petróleo sob o contrato Brent fechou em queda de mais de 5%, a US$ 78,96 o barril, em meio a expectativas de normalização do transporte no Estreito de Ormuz, após o anúncio de um acordo preliminar para encerrar a guerra entre Estados Unidos e Irã.

Com o movimento, o Brent atingiu o menor patamar desde 2 de março, enquanto o WTI fechou no nível mais baixo desde 4 de março.

Os detalhes do acordo começaram a ser divulgados ao longo do dia. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o entendimento impedirá Teerã de desenvolver armas nucleares. Uma autoridade norte-americana acrescentou que, após a assinatura do acordo, o Irã poderá retomar a venda de petróleo.

A proposta prevê a prorrogação por mais 60 dias do cessar-fogo anunciado em abril e a reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã desde o início dos ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel.

Apesar do otimismo inicial do mercado, persistem dúvidas sobre a efetividade do acordo. Especialistas alertam que a retomada do transporte marítimo e das exportações de energia pode levar semanas.

Além disso, o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, afirmou acreditar que Teerã não firmará um acordo nuclear definitivo enquanto Israel não retirar suas tropas do Líbano.

Cenário eleitoral

No Brasil, porém, o dólar operava em alta desde o início da tarde, após Lula abrir vantagem de 12,5 pontos sobre Flávio Bolsonaro em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial de outubro, mostrou pesquisa do instituto MDA, contratado pela CNT (Confederação Nacional do Transporte).

Lula tem 49,3% das intenções de voto, ao passo que Flávio soma 36,8%. No levantamento anterior, de abril, o atual presidente tinha 44,9%, ante 40,2% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Varejo e juros

Mais cedo, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que as vendas varejistas caíram 1,5% em abril ante março e subiram 1% em relação a abril do ano passado.

Ambos os resultados foram piores que as projeções de economistas ouvidos pela Reuters, de baixa de 0,60% na margem e de alta de 1,95% na comparação anual.

Os dados do varejo reforçam, em tese, a leitura de que o Banco Central pode ter espaço para cortar a taxa básica Selic no curto prazo.

Nas sessões mais recentes, os investidores no Brasil já vinham reforçando as apostas em reduções da taxa básica Selic, hoje em 14,5% ao ano.

O diferencial de juros entre Brasil e outros países - como EUA e Japão, cujas taxas estão em níveis bem menores - vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses.

*Com informações da Reuters.

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