Ibovespa fecha em queda puxado por Petrobras; dólar cai a R$ 4,98
Bolsa brasileira descola do mercado internacional e encerra a semana no negativo

O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira (17), pressionado pela recuo das ações da Petrobras, que acompanharam a baixa nos preços do petróleo no exterior. As cotações da commodity desabaram após o Irã anunciar a reabertura do Estreito de Ormuz, que estava praticamente fechada desde o começo da guerra do Oriente Médio no final de fevereiro.
Por outro lado, a Vale esteve entre os principais suportes do índice após reportar a maior venda de minério de ferro para um primeiro trimestre desde 2018.
O Ibovespa fechou em queda de 0,55%, a 195.733,51 pontos, no terceiro pregão seguido no vermelho, encerrando a semana com declínio de 0,81%.
No melhor momento do dia, pela manhã, avançou a 198.665,65 pontos. Na mínima, à tarde, registrou 195.367,90 pontos na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$ 44,73 bilhões, em dia também marcado pelo vencimento de opções sobre ações na bolsa paulista.
Já o dólar à vista encerrou o dia com recuou de 0,20%, cotado a R$ 4,9836 na venda, menor valor de fechamento desde 27 de março de 2024, quando atingiu R$ 4,9805.
Na semana, a divisa acumulou baixa de 0,53% e, no ano, recuo de 9,21%.
O anúncio de que o Irã vai reabrir o Estreito de Ormuz pesou sobre o dólar nesta sexta-feira no Brasil, com a moeda norte-americana encerrando o dia no território negativo, renovando a menor cotação do ano.
O ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta sexta-feira que a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está totalmente liberada durante o restante do período de cessar-fogo. A decisão foi tomada após o anúncio do cessar-fogo no Líbano, que começou a valer na quinta-feira (16).
"A passagem de embarcações pelo estreito seguirá a rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Assuntos Marítimos do Irã", afirmou Abbas Araqchi em uma publicação no X.
A notícia de que o Irã liberou passagens pelo Estreito de Ormuz repercutiu instantaneamente entre os investidores, com os preços do petróleo em forte queda nesta sexta-feira, com recuo de quase 10% nos contratos futuros. Na semana, o WTI despencou 14,5% e o Brent cedeu 5,06%.
Em paralelo, referendando o tom otimista nos mercados, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que negociações poderiam ocorrer no fim de semana e que acreditava que um acordo para acabar com a guerra do Irã virá "em breve".
Em Nova York, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, avançou 1,2%, renovando máximas.
De acordo com o responsável pela mesa de ações e sócio do BTG Pactual, Jerson Zanlorenzi, houve um "fortíssimo" movimento de descompressão de risco no mercado internacional, decorrente principalmente do movimento dos preços do petróleo. Zanlorenzi acrescentou que a forte queda da commodity naturalmente gera uma melhora do otimismo internacional, principalmente em relação a risco institucional e preço de combustíveis e matéria-prima energética e, consequentemente, inflação.
"Isso ajuda muito o Brasil", afirmou, explicando que o Ibovespa acabou sendo penalizado pelo peso muito grande que as ações da Petrobras - que chegaram a desabar 7,6% no pior momento no caso das preferenciais - têm na sua composição. Na carteira válida para o pregão desta sexta-feira, publicada pela B3, as ações da Petrobras detinham uma participação combinada de 13% no índice.
Zanlorenzi ponderou que essa melhora do mercado internacional, porém, pode devolver um otimismo maior para o mercado norte-americano e afetar o fluxo de capital global, que vem sendo um dos principais suportes para as ações brasileiras. A piora da perspectiva de risco para os EUA desencadeou desde o ano passado um movimento de rotação de ativos, com recursos saindo do mercado norte-americano principalmente para mercados emergentes, com o Brasil beneficiando-se de tal migração.
"Talvez a retomada de uma exuberância muito grande de preço ou de perspectiva nos Estados Unidos possa impactar um pouco a entrada de capital [para as ações brasileiras]", acrescentou Zanlorenzi, avaliando que isso pode explicar a bolsa brasileira não ter mostrado uma "euforia" nesta sessão.
Entre as ações com maior queda nesta sessão, apontou, estão justamente aquelas que receberam grande parte desse fluxo externo e mais subiram, como Petrobras e Axia, o que pode ser o estrangeiro realizando lucros.
Dados da B3 sobre a movimentação de investidores estrangeiros mostram uma entrada líquida de R$ 14,6 bilhões em abril até o dia 15, com o saldo no ano positivo em R$ 68 bilhões.
*Com informações da Reuters


