Dólar tem alta a R$ 5,43 com encontro entre Trump e Zelensky; Ibovespa sobe
Na cena doméstica, atenções seguem voltadas para dados e impasse comercial entre Brasil e EUA

O dólar à vista encerrou em alta ante o real nesta segunda-feira (18), com investidores de olho na reunião entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em Washington, enquanto se posicionam para acompanhar o simpósio de Jackson Hole durante a semana.
A divisa norte-americana fechou o pregão cotada em R$ 5,4352, alta de 0,66% no dia.
Já o Ibovespa, referência o mercado acionário brasileiro, subiu 0,72%, a 137.321,64 pontos.
O índice chegou perto de 138 mil pontos no melhor momento, com bancos entre os principais suportes, em pregão também marcado pelo salto das ações da Raízen (+10,58%) em dia de ajustes, enquanto os papéis da Prio (-3,14%) capitanearam a coluna negativa após interdição de plataforma de petróleo.
Fim da temporada de balanços
Ajustes de posições também marcavam o pregão após uma batelada de resultados corporativos nas últimas sessões, enquanto a pauta do dia no Brasil trouxe dados reforçando o cenário de desaceleração da maior economia da América Latina.
Na visão de analistas do BB Investimentos, após o encerramento da temporada de resultados "predominantemente positiva", investidores devem monitorar os dados de inflação e atividade no mercado doméstico.
Eles acrescentaram que investidores devem dosar o apetite a risco com base nas expectativas de que o momento de início do ciclo de corte de juros pelo Banco Central esteja mais próximo do que o precificado nas últimas semanas.
A B3 também divulgou a segunda prévia para o Ibovespa que irá vigorar nos últimos quatro meses do ano, com manutenção da entrada das ações da construtora Cury e a saída dos papéis da produtora de açúcar e etanol São Martinho.
Câmbio
Os movimentos do real tinham como pano de fundo a força da moeda norte-americana no exterior, que avançava sobre seus pares fortes e emergentes, uma vez que os agentes financeiros demonstravam aversão ao risco diante das incertezas geopolíticas e econômicas no horizonte.
Os mercados ainda avaliavam o resultado de uma cúpula entre Trump e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, na sexta-feira (15) para discutir a guerra na Ucrânia. O encontro não gerou acordos ou entendimento por um cessar-fogo, mas ambos os lados relataram que progressos foram feitos.
Na esteira da reunião no Alasca, Trump convidou o presidente ucraniano para uma nova visita à Casa Branca nesta segunda, que contará ainda com a presença de vários líderes europeus, à medida que o presidente norte-americano tentará convencer Zelenskiy a aceitar um acordo de paz.
O grande receio é de que o encontro termine como a conversa de fevereiro, quando Trump e o vice-presidente dos EUA, JD Vance, protagonizaram uma bronca pública a Zelensky.
"A agenda mantém a atenção do investidor voltada ao risco global. A abertura da semana tende a ser de cautela [...] com volatilidade à vista diante de qualquer surpresa nos indicadores ou nos bastidores da geopolítica", disse Diego Costa, head de câmbio para o Norte e Nordeste da B&T XP.
Ainda no cenário externo, os investidores também aguardam o simpósio de Jackson Hole a partir de quinta-feira (21), que contará com um aguardado discurso do chair do Federal Reserve, Jerome Powell.
A perspectiva sobre a política monetária do banco central dos EUA tem moldado as negociações em sessões recentes, já que dados mistos sobre a maior economia do mundo têm movimentado as apostas de operadores sobre cortes na taxa de juros neste ano.
No momento, operadores precificam uma probabilidade de 84% de que o Fed corte os juros em 0,25 ponto percentual em setembro, segundo dados da LSEG. Uma outra redução de mesma magnitude até dezembro está totalmente precificada.
Na cena doméstica, as atenções seguem voltadas para o impasse comercial entre Brasil e EUA, com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda tentando negociar a tarifa de 50% imposta por Trump sobre produtos brasileiros.
*Com informações da Reuters


