Ibovespa recua na volta do Carnaval, com tombo da Vale; dólar vai a R$ 5,24
Dia foi marcado pela divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve, que mostrou divisão e discussões sobre aumentos de juros entre os membros do comitê

O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira (18), na volta do fim de semana prolongado pelo Carnaval, pressionado pelas ações da Vale, enquanto os papéis da Petrobras avançaram com a alta dos preços do petróleo no mercado externo.
As atenções do dia foram voltadas para os Estados Unidos, onde o Federal Reserve publicou a ata de seu último encontro de política monetária. O documento mostrou divisão e discussões sobre aumentos de juros entre os membros do comitê.
O Ibovespa fechou em queda de 0,24%, aos 186.016,331 pontos.
O volume financeiro somou R$ 76,33 bilhões, em pregão marcado pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa e de contrato futuro do índice.
Já o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,21%, cotado a R$ 5,240 na venda.
De acordo com análise gráfica do BB Investimentos, o Ibovespa tem operado com bastante volatilidade em faixas específicas de preço dentro da tendência de alta que se consolida a cada semana, com realizações pontuais.
"A formação de topos ascendentes é consistente com a continuidade da tendência de alta, que segue amparada pelo forte fluxo de capital estrangeiro na bolsa", afirmaram analistas do BB em relatório a clientes.
Eles destacaram, contudo, que medidas como o Índice de Força Relativa (IFR) sinalizam que a bolsa "opera em zona de sobrecompra".
Segundo os dados da B3, fevereiro registrava uma entrada líquida de estrangeiros de quase R$ 8,4 bilhões até o dia 12. No mês passado, o saldo ficou positivo em R$ 26,3 bilhões.
No cenário nacional, os investidores voltam do feriado do Carnaval com as notícias de que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou parcialmente lei aprovada pelo Congresso Nacional que estabelece reajuste de salários para servidores da Câmara dos Deputados, do Senado e do Tribunal de Contas da União (TCU).
Ata do Fed
Autoridades do Federal Reserve chegaram a um acordo quase unânime para manter a taxa básica de juros inalterada em sua reunião do mês passado, mas permaneceram divididas sobre os próximos passos, com "vários" membros levantando a possibilidade de aumentos nos custos de empréstimo caso a inflação permaneça elevada, enquanto outros divergiram sobre se e quando novos cortes seriam justificados, de acordo com a ata da reunião de 27 e 28 de janeiro.
A decisão de manter os juros inalterados foi compartilhada por "quase todas" as autoridades do Fed como forma de avaliar a situação da economia após os cortes de 75 pontos-base no ano passado, com apenas "algumas" apoiando um corte, segundo a ata, divulgada nesta quarta-feira.
As autoridades do Fed Christopher Waller e Stephen Miran votaram contra a decisão, devido à preocupação com o possível enfraquecimento do mercado de trabalho.
Mas as opiniões se dividiram entre os outros 17 membros, com a primeira menção direta a possíveis aumentos nos juros caso a inflação permaneça acima da meta de 2% do Fed. Atualmente, está cerca de um ponto percentual acima desse nível.
Boletim Focus
A projeção para a inflação neste ano voltou a cair na pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central, mesmo após aceleração da taxa em 12 meses do IPCA de janeiro.
O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou a sexta redução seguida na conta para o IPCA, estimado agora a 3,95% este ano, de 3,97% na semana anterior. Para 2027 a estimativa segue em 3,80%.
Na semana passada, o IBGE informou que o IPCA subiu 0,33% em janeiro, acumulando em 12 meses alta de 4,44%, de 4,26% em dezembro de 2025.
O centro da meta oficial para a inflação é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
As estimativas para o PIB (Produto Interno Bruto), por sua vez, não sofreram alterações, com crescimento esperado de 1,80% tanto em 2026 quanto em 2027.
A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda manutenção do cenário para a taxa básica de juros. A expectativa é de que a Selic, atualmente em 15%, seja reduzida em 0,5 ponto percentual na reunião de março, fechando este ano em 12,25%. Para 2027 ela é calculada em 10,50%.
*Com informações da Reuters


