Ibovespa e dólar recuam com cenário político doméstico e guerra no radar
Agenda macro também ocupa atenções, após números mais fracos do que o esperado sobre a atividade econômica do país em março

O Ibovespa opera no negativo nesta segunda-feira (18), pressionado principalmente pelas ações da Vale, enquanto investidores seguem atentos ao cenário geopolítico e aos desdobramentos políticos no Brasil.
Nesta sessão, a agenda macro local também ocupa as atenções, com números mais fracos do que o esperado sobre a atividade econômica do país em março, conforme o IBC-Br, enquanto a pesquisa Focus mostrou aumento nas previsões para a Selic no final do ano.
Por volta das 15h, o Ibovespa recuava 0,51%, aos 176.637,64 pontos
No mesmo horário, o dólar à vista caía cerca de 1%, cotado a R$ 5,00 na venda.
O viés negativo que tem prevalecido na bolsa paulista desde meados de abril, quando o Ibovespa renovou suas marcas históricas e alimentou expectativas de bater a marca inédita de 200 mil pontos. Desde então, acumula um declínio de mais de 11%.
Tal movimento tem como pano de fundo o fluxo negativo de estrangeiros, com maio registrando saída líquida de quase R$ 3,9 bilhões até o dia 14, conforme dados da B3, excluindo ofertas de ações (follow-ons e IPOs). Abril ainda fechou com saldo positivo de quase R$ 3,2 bilhões - mas até o dia 15 eram R$ 14,6 bilhões.
De acordo com a análise gráfica semanal do Ibovespa da equipe do BB Investimentos, a tendência de baixa de curto prazo do Ibovespa se intensificou na última semana.
"Na leitura semanal, a bolsa testou um suporte em torno dos 175 mil pontos, que representa o objetivo imediato mais relevante. Abaixo desse nível, em função do forte desempenho de janeiro, os próximos objetivos de baixa encontram-se abaixo dos 170 mil pontos", afirmaram os analistas em nota a clientes.
No noticiário geopolítico, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar no domingo o Irã com consequências caso seus líderes não ajam rapidamente, a agência de notícias iraniana semi-oficial Tasnim informou que os EUA concordaram em suspender as sanções sobre as exportações de petróleo de Teerã durante o período de negociação.
IBC-Br e Focus
O IBC-Br – considerado a prévia do PIB – recuou 0,7% em março de 2026 em relação a fevereiro de 2026, na série com ajuste sazonal. De acordo com o Banco Central, foram registradas variações de -0,2% na agropecuária, -0,2% na indústria e -0,8% em serviços. O IBC-Br excluindo a agropecuária recuou 0,9% no mês.
No trimestre encerrado em março de 2026, o IBC-Br apresentou alta de 1,3% em comparação ao mesmo período de 2025. Nos últimos 12 meses, o indicador avançou 1,8%.
Já o relatório Focus registrou aumento pela 10ª semana seguida para a expectativa de inflação em 2026. O documento elevou a projeção do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) para 4,92%, em uma leve alta de 0,01, p.p. (ponto percentual), em relação à última divulgação.
Além da inflação, a taxa básica de juros (Selic) também sofreu aumento em sua expectativa. Desde a última publicação, a projeção teve um aumento de 0,25 ponto percentual, indo para 13,25% ao ano.
Enquanto isso, o câmbio e o PIB (Produto Interno Bruto) não tiveram aumento nesta divulgação. O crescimento interno do país continuou na estimativa de 1,85%, assim como a moeda seguiu estimada para encerrar 2026 em R$ 5,20.
*Com informações da Reuters


