Ibovespa fecha em queda após Fed e à espera do Copom; dólar sobe a R$ 5,24
Mercado aguarda definição de política monetária brasileira, que será divulgada pelo Banco Central no final da tarde desta quarta-feira (18)

O Ibovespa perdeu o fôlego e fechou em queda nesta quarta-feira (18), em meio a decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. O Federal Reserve (Fed) manteve a taxa de juros inalterada, mas os agentes financeiros ainda aguardam os próximos passos dos juros brasileiro que será divulgado pelo Banco Central no final do dia.
As autoridades do banco central dos Estados Unidos mantiveram o intervalo da taxa referencial de juros entre 3,5% e 3,75% ao ano, a decisão já era esperada pelo mercado que precificavam a manutenção da taxa. Assim, os investidores ficaram atentos às pistas na entrevista do chair da instituição, Jerome Powell, sobre a política monetária no restante do ano, em meio às preocupações com a disparada do dólar com a guerra no Oriente Médio.
Já a expectativa pela decisão do Banco Central do Brasil, após o fechamento dos mercados, mantém a tensão entre os agentes, em especial os que operam juros futuros. Embora a curva a termo precifique de forma majoritária corte de 25 pontos-base da Selic, as apostas na manutenção da taxa em 15% não são desprezíveis.
O Ibovespa fechou em queda de 0,43%, aos 179.639,91 pontos.
O principal índice da bolsa alcançou 179.575,91 pontos na mínima e marcou 181.550,83 pontos na máxima do dia. O volume financeiro somou R$ 27,5 bilhões.
"Hoje foi um pregão mais cauteloso, de olho lá fora e no Copom", destacou Felipe Sant'Anna, especialista em investimentos do Grupo Axia Investing.
"Embora o mercado amplamente venha projetando um corte, que antes era de meio ponto percentual e agora as apostas majoritárias estão em 0,25 ponto percentual, existe uma grande parte do mercado que ainda acredita que o BC pode não mexer na taxa de juros hoje", acrescentou.
Já o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,83%, cotado a R$ 5,2436 na venda.
A moeda norte-americana iniciou o dia próximo da estabilidade ante o real, mas acelerou a alta durante a sessão, em sintonia com o avanço da dólar ante outras divisas de países emergentes no exterior.
As taxas dos DIs fecharam a quarta-feira com leves baixas entre os contratos de curto prazo, enquanto as taxas longas subiram em uma sessão marcada por nova intervenção no mercado do Tesouro.
Mais cedo, o Tesouro Nacional recomprou R$ 5,41 bilhões em títulos prefixados, as taxas curtas dos DIs exibiam altas leves neste início de tarde, enquanto as longas cediam.
Na terça-feira (17), o Tesouro fez a maior intervenção nos juros futuros em mais de 10 anos, recomprando um montante que somou R$ 43 bilhões em dois dias. E hoje, uma nova medida já foi programada.
"O risco geopolítico persiste com o conflito Israel-EUA-Irã em escalada", afirmou a equipe da Genial Investimentos, ressaltando, contudo, que o discurso do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, sobre inflação e geopolítica pode ditar o humor nos mercados no mundo.
"Enquanto isso, o diesel acende um alerta interno: a alta do combustível reacendeu a articulação dos caminhoneiros por uma greve", acrescentou.
Caminhoneiros de diferentes setores defenderam na terça-feira uma paralisação nacional da categoria após o aumento no preço do diesel nos postos do país nas últimas semanas, com entidades que representam a categoria buscando que os motoristas cruzem os braços já nesta semana.
O governo anunciou nesta quarta-feira medidas para endurecer a fiscalização para o cumprimento da tabela mínima de frete. Além disso, ele fará uma proposta aos governos estaduais sobre o ICMS que incide sobre combustíveis. A Polícia Federal também investiga aumentos abusivos nos preços dos combustíveis.
Leilão do Tesouro
O Tesouro Nacional recomprou nesta quarta-feira (18), em leilões extraordinários simultâneos, 3,15 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e 4,42 milhões de Notas do Tesouro Nacional (NTN-F), ambos títulos prefixados, em um valor total de R$ 5,41 bilhões.
No caso das LTN, foram recomprados 1,15 milhão de títulos para 01/01/2030, no valor financeiro de R$ 704,8 milhões, e outros 2 milhões de papéis para 01/01/2032 no valor de R$ 941,9 milhões.
No caso das NTN-F, foram recomprados 2,72 milhões de títulos para 01/01/2033, no valor de R$2,342 bilhões, e 1,7 milhão de papéis para 01/01/2035, no valor de R$1,421 bilhão.
Apesar de ter feito simultaneamente leilões de venda de LTN e NTN-F, o Tesouro não aceitou propostas nestes casos.
Este é o terceiro dia de intervenções extraordinárias do Tesouro com o objetivo de eliminar distorções na curva de juros brasileira, em meio à forte pressão trazida pela guerra no Oriente Médio.
*Com informações da Reuters


