Ibovespa fecha em alta de 1% com apoio da Petrobras; dólar cai a R$ 5,22
Prévia do PIB e tensões entre Estados Unidos e Irã ficaram no radar dos investidores durante todo o dia

O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira (19), sustentada principalmente pela valorização das ações da Petrobras, acompanhando o avanço do petróleo no exterior, e da Axia Energia, que ficaram entre os principais suportes diante da perspectiva de migração para o Novo Mercado. Ao mesmo tempo, os papéis da Vale pressionaram negativamente o índice durante todo o pregão, mas encerraram o dia no positivo.
No Brasil, o destaque foram os dados de atividade divulgados pelo Banco Central durante a manhã. O IBC-Br, considerado a prévia do PIB (Produto Interno Bruto) do país avançou em 2,5% em 2025, na comparação com o ano anterior. No cenário internacional, investidores seguiram atentos à mobilização de tropas dos Estados Unidos ao redor do Irã.
O Ibovespa fechou em alta de 1,35%, aos 188.534,42 pontos.
O principal índice da bolsa chegou a 188.687,12 pontos na máxima e marcou 185.927,99 na mínima do dia. O volume financeiro somou R$ 28,9 bilhões.
Já o dólar encerrou o dia perto da estabilidade ante o real, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha sustentado ganhos ante as demais divisas, com alguns agentes citando o efeito do fluxo de entrada de recursos no país sobre as cotações.
O dólar à vista fechou com leve baixa de 0,04%, aos R$ 5,2282. No ano, a divisa agora acumula baixa de 4,75%.
"Minha leitura é de que foi mais um dia de ingresso de estrangeiro", disse o gestor de renda variável Naio Ino, da Western Asset, citando o interesse desses investidores principalmente em "large caps" e ações com liquidez.
Na visão de Ino, enquanto o fluxo continuar, é difícil enxergar uma realização (mais relevante) de curto prazo.
Fevereiro registra um saldo positivo de capital externo de R$ 8,76 bilhões até o dia 13 para as ações brasileiras, segundo os dados mais recentes disponíveis pela B3. Em janeiro, houve uma entrada líquida de R$ 26,3 bilhões.
Tal fluxo, reflexo de um movimento de rotação de ativos globais, com a perspectiva de queda da Selic no Brasil neste ano como pano de fundo, voltou a ajudar a bolsa paulista a descolar de Wall Street, onde o S&P 500 cedeu 0,28%.
De acordo com estrategistas da XP, após reuniões com investidores nos EUA na semana passada, o sentimento em relação às ações brasileiras permanece positivo, embora exista um certo desconforto com os níveis de valuation após a alta recente.
Eles citaram que os fortes fluxos estrangeiros para o Brasil em 2026 são vistos como impulsionados principalmente por fundos Macro e passivos (ETFs), e não por fundos ativos.
"Como resultado, vários investidores mencionaram o descasamento entre os grandes nomes do índice - como Vale, Petrobras, Itaú, que se beneficiaram fortemente dos fluxos, enquanto o restante do mercado ficou para trás", citaram.
"Assim, um 'trade' de convergência pode começar a funcionar em breve, mas somente quando os fortes fluxos passivos para o Brasil diminuírem", acrescentaram em relatório a clientes.
Prévia do PIB
O Banco Central registrou um avanço de 2,5% no IBC-Br (Índice de Atividade Econômica) em 2025, na comparação com o ano anterior - o indicador é considerado a prévia do PIB (Produto Interno Bruto).
Os dados divulgados nesta quinta-feira (19) pelo BC tiveram resultado acima do crescimento de 2,2% projetado pelo Ministério da Fazenda.
O índice teve queda de 0,2% em dezembro sobre novembro, segundo dados dessazonalizados, contra expectativa em pesquisa da Reuters de retração de 0,5%, encerrando o quarto trimestre com alta de 0,4% sobre o terceiro trimestre.
Na comparação com dezembro do ano anterior, o IBC-Br teve ganho de 3,1%, de acordo com dados não dessazonalizados.
*Com informações da Reuters


