Ibovespa recua para mínima em dois meses; dólar sobe a R$ 5,31
Bolsa brasileira fecha no negativo em sintonia com a piora dos mercados no exterior com temores sobre a guerra no Oriente Médio

O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira (20), aos 176 mil pontos, mais uma vez contaminado pela aversão a risco global com os receios envolvendo o conflito no Oriente Médio e seus reflexos na economia mundial.
O Ibovespa fechou em queda de 2,25%, aos 176.219,40 pontos. Na semana, o índice acumula perda de 0,81%% e amplia a queda no mês para 6,66%. No ano, ainda sobe 9,37%.
Em pregão também marcado por vencimento de opções sobre ações na B3, o principal índice da bolsa chegou a 175.039,34 pontos na mínima da sessão, piso intradia desde 22 de janeiro. Na máxima do dia, alcançou 180.305,22 pontos. O volume financeiro somou R$ 49,45 bilhões.
Já o dólar à vista encerrou o dia em alta de 1,84%, cotado a R$ 5,3125 na venda. Na semana, a moeda acumulou baixa de 0,08% e, no ano, recuo de 3,22%.
Os rendimentos dos Treasuries exibiu ganhos firmes durante tarde, com o mercado avaliando que o Federal Reserve pode ser obrigado a subir juros para conter a inflação gerada pela guerra. Operadores de contratos de juros de curto prazo precificavam nesta sexta-feira uma chance acima de 50% de o Fed elevar a taxa em dezembro, uma mudança drástica em relação às expectativas do início desta semana de um corte.
No Brasil, isso se traduziu na disparada das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), que chegaram a subir 50 pontos-base em alguns vértices, e na alta de mais de 1% do dólar ante o real.
O dólar acelerou os ganhos ante o real, acompanhando o fortalecimento da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, em meio aos receios sobre os impactos econômicos da guerra no Oriente Médio.
"Essa percepção do mercado de que a guerra pode se prolongar está fazendo o mercado ajustar a perspectiva e as apostas sobre o Fed", comentou Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital, ao justificar a aceleração do dólar ante o real no fim da manhã.
"O 'driver' (vetor) dos negócios (no câmbio) é 100% o externo hoje."
O barril de petróleo sob o contrato Brent fechou em alta de mais de 3%, a US$ 112,19, maior valor desde julho de 2022, com a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que já dura três semanas, sem sinais de arrefecimento. Na última sexta-feira de fevereiro, antes dos primeiros ataques contra o Irã, o Brent tinha fechado a US$ 72,48.
As forças armadas dos EUA estão enviando milhares de fuzileiros navais e marinheiros adicionais para o Oriente Médio, disseram três autoridades norte-americanas à Reuters nesta sexta-feira.
O Iraque, por sua vez, declarou força maior em todos os campos de petróleo desenvolvidos por empresas petrolíferas estrangeiras.
Também nesta sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, disse que não vê um fim óbvio para o conflito no Oriente Médio no curto prazo. A fala ocorreu após ele se reunir com o colega israelense Gideon Saar em Tel Aviv.
"O conflito vai se arrastando e cada semana praticamente funciona como um 'tic tac' na inflação", observou o analista Felipe Cima, da Manchester Investimentos, destacando receios com o movimento dos juros principalmente nos EUA.
Tal cenário desacelerou o fluxo de estrangeiros para a bolsa paulista em março, mas a B3 ainda registra um saldo positivo, de quase R$ 4,6 bilhões até o dia 17. Em fevereiro, houve entrada líquida de R$ 15,4 bilhões. Em janeiro, de R$ 26,3 bilhões.
*Com informações da Reuters


