Ibovespa fecha em queda após alcançar 191 mil pontos; dólar cai a R$ 5,16
Principal índice da bolsa foi pressionado por correção negativa nas ações de bancos, acompanhando as perdas em Wall Street em dia de maior aversão ao risco
O Ibovespa superou os 191 mil pontos pela primeira vez nesta segunda-feira (23), mas não sustentou o fôlego e fechou em baixa, pressionado principalmente por uma correção negativa nas ações de bancos, acompanhando as perdas em Wall Street em dia de maior aversão ao risco.
Por trás do mal-humor global estão as incertezas em relação às tarifas comerciais norte-americanas, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar no fim de semana a elevação de uma alíquota temporária para todos os países, de 10% para 15%.
O Ibovespa fechou em queda de 0,88%, aos 188.853,49 pontos.
O principal índice da bolsa brasileira ganhou fôlego no final da manhã e renovou a máxima intradia, aos 191.002,54 pontos - na mínima do dia, tocou os 188.525,73 pontos. Na última sexta-feira, o índice fechou em novo recorde, aos 190 mil pontos pela primeira vez.
Já o dólar, após oscilar abaixo dos R$ 5,14 no fim da manhã, se recuperou ante o real e encerrou o dia praticamente estável, ainda assim na menor cotação em quase 21 meses, enquanto no exterior a moeda norte-americana cedia ante boa parte das demais divisas.
O dólar à vista fechou em leve baixa de 0,14%, aos R$ 5,1693 - menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024, quando encerrou em R$ 5,1539. No ano, a moeda acumula agora queda de 5,82%.
Os investidores estão atentos aos desdobramentos de nova ofensiva comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A XP destacou que a nova medida reacendeu incertezas sobre inflação e crescimento global. Em Wall Street, o sinal negativo prevalecia, após fechamento positivo na sexta-feira na esteira da decisão da Suprema Corte.
De acordo com analistas do BB Investimentos, ao longo da semana, os mercados devem observar uma volatilidade acentuada em função dos desdobramentos das decisões que afetam o comércio em escala global.
Eles destacaram, contudo, que, se o Ibovespa confirmar o patamar acima dos 190 mil nos próximos pregões, não veem resistências relevantes para o índice alcançar os 200 mil pontos "mais rápido que o mais otimista dos investidores projetava".
Dólar em queda
No início da sessão, o dólar chegou a oscilar no território positivo no Brasil, com alguns investidores realizando lucros recentes, mas o movimento perdeu fôlego rapidamente, com exportadores aproveitando as cotações mais altas para vender moeda.
"Lá fora, algumas moedas de emergentes e exportadores de commodities viraram também, passando a ganhar do dólar, como o real", comentou no fim da manhã o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. "Aqui também tem fluxo, com o exportador vendendo (dólar) quando bateu em R$5,18 ou R$5,17", acrescentou.
Neste cenário, após atingir a cotação máxima de R$5,1919 (+0,30%) às 9h26, o dólar à vista cedeu à mínima de R$5,1392 (-0,72%) às 11h50, no momento de maior força no dia para os ativos brasileiros, com o Ibovespa chegando a superar os 191 mil pontos.
No fim da sessão, porém, a divisa se reaproximou da estabilidade ante o real.
O recuo visto mais cedo do dólar ante o real ocorreu em um ambiente de cautela dos investidores com os desdobramentos da nova ofensiva comercial do presidente dos EUA, Donald Trump.
No sábado, Trump afirmou que elevará de 10% para 15% uma tarifa temporária sobre as importações dos EUA de todos os países, o nível máximo permitido por lei. Na sexta-feira, ele havia anunciado uma alíquota de 10%, após a Suprema Corte do país derrubar seu programa tarifário anterior.
Na manhã desta segunda-feira, Trump voltou a criticar a Suprema Corte e disse que outras tarifas podem ser usadas de forma "muito mais poderosa e desagradável".
No campo geopolítico, também seguiram no radar as tensões entre EUA e Irã, que indicou estar disposto a fazer concessões em seu programa nuclear em troca do fim das sanções norte-americanas e do reconhecimento de seu direito de enriquecer urânio.
No Brasil, o boletim Focus divulgado pelo Banco Central mais cedo mostrou que a mediana das projeções de economistas do mercado para o dólar no fim de 2026 passou de R$5,50 para R$5,45. Já a expectativa para a taxa básica de juros Selic no fim do ano foi de 12,25% para 12,13%.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -- cuja taxa de referência hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses.
Nesta segunda-feira, não ocorreram operações do Banco Central no mercado de câmbio. Dos 750.000 contratos de swap que vencem em 2 de março, o BC rolou até a última sexta-feira 725.000.
Para profissionais ouvidos pela Reuters, em função do forte fluxo recente de recursos para o Brasil, o BC tem espaço para não rolar integralmente os swaps cambiais e as linhas (operações de venda de dólares com recompra) que estão para vencer em março.
*Com informações da Reuters


