Ibovespa sobe quase 1% e dólar cai a R$ 5,52 de olho em tarifaço

Na cena doméstica, investidores observavam pouca margem para apostas mais arriscadas, já que perspectivas para negociações a fim de evitar tarifa de Trump permanecia altamente incerta

Da CNN Brasil*
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O dólar à vista fechou em queda ante o real nesta quarta-feira (23), conforme investidores reagiam ao acordo comercial dos EUA com o Japão, enquanto seguem de olho nas tensões recentes entre o Brasil e Washington. Já o Ibovespa registrou expressiva alta, enquanto o mercado também analisa a divulgação de balanços corporativos.

O dólar à vista fechou o dia em queda de 0,78%, a R$ 5,5239 na venda.

Enquanto isso, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, fechou em alta de 0,99%, a 135.368,27 pontos.

Os movimentos do real nesta sessão tinham como pano de fundo um apetite por risco cauteloso no exterior, uma vez que os mercados demonstravam otimismo com o anúncio de Trump na véspera de que fechou "o maior ACORDO COMERCIAL da história" com o Japão.

Negociações comerciais

Segundo o presidente norte-americano, o pacto comercial reduz as tarifas sobre as importações de automóveis e poupa Tóquio de novas taxas sobre outros produtos em troca de um pacote de US$ 550 bilhões em investimentos e empréstimos aos EUA.

O progresso nas negociações entre os parceiros fomentava as expectativas de que os EUA possam fechar mais acordos antes do prazo de 1º de agosto que Trump estipulou para a imposição de taxas mais altas sobre vários países.

O foco agora está em torno de um possível acordo com a União Europeia.

Cenário no Brasil

Na cena doméstica, no entanto, os investidores nacionais observavam pouca margem para apostas mais arriscadas, já que as perspectivas para negociações a fim de evitar a ameaça de Trump de tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros permanecia altamente incerta.

Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou na segunda que o governo avalia implementar instrumentos de apoio a setores da economia impactados pela tarifa de 50% anunciada pelos EUA.

"A ameaça dos EUA de impor tarifas de 50% ao Brasil ilustra como a taxa de câmbio é moldada por uma combinação de fatores, tornando qualquer projeção um exercício desafiador", disseram analistas do banco UBS em relatório.

"Historicamente, a direção do dólar no exterior é o principal motor do real, e o ambiente atual, com dólar mais fraco, preços de commodities resilientes e menor aversão ao risco, tem beneficiado as moedas emergentes", acrescentaram.

O índice do dólar – que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas – subia 0,01%, a 97,474.

O mercado nacional também voltava suas atenções para o cenário fiscal, após o governo apontar na terça necessidade de uma contenção de R$ 10,7 bilhões nos gastos dos ministérios para cumprir regras fiscais, valor menor do que os R$ 31,3 bilhões apontados em avaliação feita em maio.

*Com informações da Reuters

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