Dólar cai a R$ 5,52, menor valor desde anúncio do tarifaço; bolsa recua 1%
Governo brasileiro prepara plano de contingência para as tarifas americanas que devem entrar em vigor na próxima semana
O sinal negativo prevaleceu na bolsa paulista e o dólar caiu nesta quinta-feira (24), com investidores evitando alterar posições antes que haja clareza sobre a cobrança de tarifa pelos EUA sobre os produtos brasileiros e sobre a resposta a ser dada pelo Brasil.
O Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caiu 1,15%, a 133.807,59 pontos.
Já o dólar à vista teve uma queda de 0,05%, a R$ 5,5211 na venda, no menor valor de fechamento desde os R$ 5,5036 de 9 de julho — dia em que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a tarifa de 50% para os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto.
Os movimentos do real nesta sessão ocorriam na esteira da baixa volatilidade nos mercados globais de câmbio, com a moeda norte-americana em leve alta ante pares fortes, como o iene e o euro, e emergentes, como peso mexicano e o rand sul-africano.
Negociações comerciais
Na véspera, os investidores exibiram enorme apetite por ativos mais arriscados, uma vez que mostraram otimismo com um alcance de um acordo comercial entre EUA e Japão e relatos de que a União Europeia também estava próxima de um entendimento com Washington.
No pregão desta quinta, entretanto, os agentes financeiros optavam pela cautela, enquanto aguardam novidades sobre as negociações comerciais dos EUA. A concretização de um acordo com a UE pode fomentar novamente o sentimento de risco nos mercados.
No Brasil, o panorama das tensões comerciais com os EUA também apoiava a opção pela cautela, uma vez que o mercado nacional ainda aguarda mais detalhes sobre a resposta brasileira para a ameaça de Trump de impor tarifa de 50% sobre os produtos do país a partir de 1º de agosto.
"No momento, é difícil saber a total extensão dessa iniciativa (de Trump) e qual será a reação do governo brasileiro", disse a economista Paula Magalhães, do banco Bradesco, em relatório.
"O fato de o Brasil ser uma economia relativamente fechada e fundamentos externos que indicam fraqueza do dólar ajudam a explicar por que a taxa de câmbio continua orbitando seus valores de equilíbrio", completou.
O índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,24%, a 97,434.
BCE e dados econômicos
Para além do comércio, os mercados também analisavam a mais recente decisão de política monetária do Banco Central Europeu, que manteve sua taxa de juros inalterada em 2% nesta quinta-feira, após oito cortes de juros em um ano.
Com a inflação de volta à meta de 2% e com a expectativa de que permaneça nesse patamar, as autoridades optaram pela pausa no afrouxamento monetário, justamente quando as negociações entre a UE e os EUA parecem estar na reta final.
Na frente de dados, os investidores analisarão dados de arrecadação para junho no Brasil, às 10h30, e as pesquisas PMI da S&P Global sobre os setores industrial e de serviços dos EUA, ambas às 10h45.
*Com informações da Reuters


