Ibovespa e dólar fecham em alta após ata do Copom e com guerra no radar

Investidores seguem em busca de pistas sobre os próximos passos da taxa de juros e o andamento do conflito no Oriente Médio

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
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O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira (24), sustentada principalmente pelo avanço das ações da Petrobras na esteira do movimento do preço do petróleo no exterior, com notícias contraditórias sobre negociações para encerrar a guerra no Oriente Médio.

O andamento do conflito com o Irã segue dando força ao dólar ante as demais divisas de países emergentes, incluindo o real. Os juros futuros também subiram em uma sessão marcada pela maior percepção de risco global, enquanto o mercado monitora os próximos passos do presidente americano Donald Trump.

O Ibovespa fechou em alta de 0,32%, aos 182.509,14 pontos.

O principal índice da bolsa marcou 179.914,53 na mínima e 182.649,10 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$ 25 bilhões.

No início da tarde, o Banco Central realizou uma operação cambial, aumentando a liquidez no mercado à vista, mas ainda assim a moeda norte-americana encerrou a sessão em alta.

De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, permanece o ambiente de cautela global. "O mundo olha para o Oriente Médio e tenta entender como os EUA vão tentar resolver a questão da guerra com o Irã."

Investidores no Brasil também digerem a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Banco Central, em busca de pistas sobre o que a instituição fará com a taxa básica Selic nos próximos meses. O Copom trouxe uma mensagem mais dura sobre a condução dos juros, colocando a guerra e novos dados como cruciais para as próximas decisões.

Para analistas do BTG Pactual, a ata é consistente com a leitura de que o Copom deixou a porta aberta tanto para acelerar quanto para manter o ritmo de 0,25 pontos adiante, a depender da evolução do cenário geopolítico.

"A barra para uma interrupção do ciclo nos parece elevada. Assim, mantido o cenário atual, nosso 'call' é de continuidade do ciclo com corte de 0,25 p.p. na próxima reunião."

Eles ponderaram que uma redução de incerteza com impactos positivos sobre o preço do petróleo levaria a uma aceleração do ritmo para 0,50 ponto.

Estrategistas do JPMorgan chamaram a atenção para o fluxo de estrangeiros para a bolsa paulista em março, mesmo com a piora no cenário externo em meio à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã e seus desdobramentos.

Dados da B3 mostram uma entrada líquida de quase R$ 6,9 bilhões em março até o dia 20, ampliando o salto positivo no ano para cerca de R$ 48,6 bilhões.

"É realmente extraordinário o fato de o Brasil estar recebendo fluxos em um momento de aversão global ao risco", afirma relatório do banco norte-americano assinado por Emy Shayo e Cinthya Mizuguchi.

"Essa situação reforça nossa visão de que, dentro dos mercados emergentes, a América Latina é um porto seguro e, dentro da América Latina, o Brasil é o mais bem posicionado."

Ata do Copom

Na ata divulgada nesta terça-feira (24), o Copom (Comitê de Política Monetária) indicou incerteza sobre a manutenção do ciclo de cortes iniciado na última reunião.

No documento, o Comitê indica que o cenário atual é caracterizado por um forte aumento da incerteza, e reafirmou serenidade e cautela na condução da política monetária.

"De forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo".

Ao longo o documento, o Copom aponta que o ambiente externo se tornou mais incerto, em função dos conflitos no Oriente Médio, o que exige cautela por parte de países emergentes, como o Brasil. Até o início dos conflitos, as leituras indicavam algum arrefecimento da inflação.

Além disso, os diretores citam novas incertezas com relação à política econômica dos Estados Unidos colaboraram para tornar esse cenário ainda mais incerto.

“Com relação ao balanço de riscos, o Comitê avaliou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já se encontravam mais elevados do que o usual, se intensificaram após o início dos conflitos no Oriente Médio”, pontua o documento. A próxima reunião do Copom irá acontecer nos dias 28 e 29 de abril.

*Com informações da Reuters

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