Ibovespa fecha acima dos 155 mil pontos após boletim Focus; dólar cai
Economistas reduziram a projeção para Selic em 2026 para 12%; Gabriel Galípolo também defendeu política monetária restritiva e diz ainda estar "insatisfeito" com inflação

O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira (24), retomando patamar dos 155 mil pontos. Agentes financeiros analisaram o boletim Focus, que mostrou queda na projeção para Selic em 2026 para 12%, além do aumento das expectativas para o corte de juros nos Estados Unidos.
O Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subiu 0,33%, a 155.277,56 pontos, tendo marcado 155.832 pontos na máxima.
O dólar à vista fechou em baixa de 0,13%, aos R$ 5,3951 na venda.
No exterior, o sinal positivo prevaleceu nos três indíces acionistas nos Estados Unidos, com as atenções ainda externas para os próximos passos do banco central americano.
De acordo com analistas do Itaú BBA, o Ibovespa segue em movimento de realizações de lucros e encontra suportes em 152.200 e 149.800 pontos, níveis que sustentam a tendência de alta.
“Do lado da alta, a primeira resistência está em 158.500 pontos, antes de retomar o movimento em direção ao próximo patamar, em 165.000 pontos”, afirmaram no relatório Diário do Grafista enviado a clientes nesta segunda-feira.
Cenário doméstico
Em meio às preocupações persistentes sobre o quadro fiscal, também permanece a atenção nesta sessão de dados mostrando que a arrecadação federal somou R$ 261.908 bilhões no mês passado, maior patamar para outubro da série, com ajuda do IOF.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, esteve no almoço anual da Febraban e se disse insatisfeito com o nível da inflação, defendendo mais uma vez a manutenção da política monetária restritiva.
"Ainda estamos insatisfeitos, não estamos onde gostaríamos, por isso seguimos com patamar restritivo de juros", disse.
Parte do mercado aposta em um corte da taxa já em janeiro, de 25 pontos-base, mas o BC tem mantido discurso cauteloso em relação à política monetária.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos tem sido apontado por analistas como um fator de atração de recursos para o país, o que vem mantendo o dólar em níveis mais baixos.
No boletim Focus divulgado nesta manhã, a mediana das projeções dos economistas do mercado para a Selic no fim deste ano seguiu em 15%, mas para o fim de 2026 cedeu de 12,25% para 12%. O dólar projetado para o fim deste ano permaneceu em R$ 5,40.
Cenário externo
Na manhã desta segunda, conforme a Ferramenta CME FedWatch, o mercado precificava 73,5% de probabilidade de corte de 25 pontos-base, contra 26,5% de chance de manutenção na faixa de 3,75% a 4,00%.
Este cenário para os juros dos EUA pesava sobre o dólar ante outras divisas nesta manhã, inclusive em relação a moedas pares do real como o peso chileno, o peso mexicano e o rand sul-africano.
Na sexta-feira, o dólar à vista fechou em alta de 1,20%, aos R$ 5,4020.
*Com informações da Reuters


