Dólar cai a R$ 5,12, menor valor desde maio de 2024; Ibovespa recua

Principal índice da bolsa perde fôlego após atingir o patamar de 192 mil pontos e renovar a máxima intradia no início do pregão

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
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O dólar encerrou o dia com forte queda nesta quarta-feira (25), no menor valor de fechamento desde 21 de maio de 2024, influenciado pelo recuo da moeda norte-americana no exterior e por nova pesquisa sobre as eleições no Brasil mostrando empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros concorrentes ao Planalto.

O dólar à vista fechou em baixa de 0,60%, cotado a R$ 5,1247 na venda - no ano, a moeda acumula agora queda de 6,64%.

Já o Ibovespa encerrou no negativo com movimento de realização de lucros após superar a marca inédita de 192 mil pontos pela primeira vez, enquanto o desempenho robusto de Vale evitou uma perda mais expressiva em dia também marcado pela repercussão de balanços corporativos e cenário eleitoral.

O Ibovespa fechou em leve queda de 0,13%, aos 191.247,46 pontos.

O principal índice da bolsa atingiu os 192.623 pontos na máxima da sessão nos primeiros negócios, renovando o recorde intradia. Na mínima do dia, chegou a 190.419 pontos.

Este cenário não tão favorável aos ativos brasileiros se materializa a despeito de, no exterior, os índices de ações S&P 500 e Nasdaq registrarem ganhos firmes, com investidores à espera do balanço da Nvidia.

Apesar do movimento de correção no pregão, o cenário é favorável para a bolsa brasileira, de acordo com os analistas do Itaú BBA.

No relatório Diário do Grafista desta quarta-feira, Fábio Perina e Lucas Piza avaliaram que o Ibovespa está em de alta e tem como próximo destino os 200 mil pontos.

"O próximo grande objetivo de médio prazo — que pode ser alcançado ainda este ano — está na região dos 250.000 pontos, correspondente ao topo do canal de alta de longo prazo", afirmaram.

"Enquanto o ambiente externo continua impulsionando os ativos domésticos, as notícias locais também devem servir como catalisadores adicionais para alguns setores da B3", disse a equipe da Ágora Investimentos, citando a Vale.

No Brasil, em meio a balanços, o mercado também repercute a pesquisa Atlas/Bloomberg mostrando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém a liderança nos cenários de primeiro turno para a eleição presidencial de outubro, porém é superado nas simulações de segundo turno pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Antes da abertura do mercado, o Tesouro informou que o governo central teve superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, com queda real de 2,2% sobre o mesmo mês de 2025. Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado, que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, seria superavitário em R$ 88,8 bilhões no mês.

Já o Banco Central informou que as concessões de crédito no Brasil caíram 18,9% em janeiro ante dezembro, com o estoque total de crédito recuando 0,2% no período, a R$ 7,116 trilhões.

Forte fluxo estrangeiro

Em meio à forte entrada de investimentos estrangeiros no país, o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$ 3,358 bilhões em fevereiro até dia 20, conforme dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central.

Pelo canal financeiro, houve entradas líquidas de US$ 1,914 bilhão em fevereiro até dia 20. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações.

Somente na semana passada entraram no país US$ 1,870 bilhão líquidos. A semana foi encurtada pelo período de Carnaval e teve apenas três dias úteis, de 18 a 20 de fevereiro.

O resultado ocorreu na esteira do forte fluxo de investimentos de estrangeiros para a bolsa brasileira. Apenas na quinta-feira, dia 19, entraram no Brasil US$ 2,288 bilhões líquidos, sendo que pela via financeira foram US$ 2,344 bilhões. Naquele dia, o Ibovespa subiu mais de 1%.

No acumulado do ano até 20 de fevereiro, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$ 8,426 bilhões.

Cenário eleitoral

O senador Flávio Bolsonaro (PL) subiu nas intenções de voto e empatou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 2º turno, segundo pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (25).

Flávio aparece com 46,3% — em janeiro, ele tinha 44,9%. Lula, por sua vez, tem 46,2%, antes tinha 49,2%.

Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) ultrapassou numericamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual cenário de segundo turno. Por outro lado, o petista venceria a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Ele ainda empata tecnicamente com o senador Flávio Bolsonaro (PL).

*Com informações da Reuters

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