Bolsa fecha em leve queda com correção de blue chips; dólar sobe a R$ 5,13

Marcopolo liderou os ganhos do Ibovespa com resultado trimestral acima das previsões, enquanto Rede D'Or encerrou o dia com a maior perda após balanço corporativo

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
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O Ibovespa fechou em leve queda nesta quinta-feira (26), pressionado pela correção negativa das blue chips Vale, Petrobras, Itaú Unibanco e Bradesco. A temporada de balanços refletiu de forma mista no índice, com Marcopolo liderando os ganhos do dia após lucro acima do esperado, enquanto Rede D'Or e Copasa apresentaram recuo com balanço também sob holofote.

O principal índice da bolsa brasileira acompanhou o recuo de Wall Street, com o S&P 500 e o Nasdaq encerrando o dia no negativo, em uma reação morna aos resultados robustos divulgados pela Nvidia na véspera, enquanto investidores continuam avaliando os riscos relacionados à inteligência artificial.

O Ibovespa fechou com recuo de 0,13%, aos 191.005,02 pontos.

O índice de referência do mercado acionário brasileiro marcou 191.977,51 pontos na máxima e 188.976,57 pontos na mínima do dia. O volume financeiro somou R$ 29,47 bilhões.

Para o analista de investimentos Alison Correia, cofundador da Dom Investimentos, a bolsa teve um dia de correção no penúltimo dia útil de fevereiro, influenciado principalmente pelo movimento de commodities.

Apesar do declínio na sessão, o Ibovespa ainda caminha para mais um desempenho mensal positivo, com alta de 5,32% em fevereiro até o momento, mais uma vez endossado pelo fluxo de estrangeiros, com o saldo no mês positivo em R$ 14,4 bilhões até o dia 24, segundo os dados da B3.

Já o dólar interrompeu a série mais recente de recuos ante o real e encerrou o dia em alta, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes no exterior, em um dia que também foi de perdas para a bolsa brasileira.

O dólar à vista fechou em alta de 0,28%, aos R$ 5,1392, após ter atingido na véspera o menor valor de fechamento desde 21 de maio de 2024. No ano, a moeda acumula agora queda de 6,37%.

A temporada de balanços corporativos também segue no radar dos investimentos da bolsa, que nas últimas semanas tem atraído forte fluxo estrangeiro, com efeitos no câmbio.

De acordo com João Duarte, sócio da ONE Investimentos, o movimento do dólar reforça a dinâmica recente de resiliência do real, que vem sendo sustentado por fluxo estrangeiro consistente e pelo diferencial de juros ainda elevado, mesmo com a proximidade do início do ciclo de cortes da Selic.

"A moeda brasileira segue entre os destaques positivos entre emergentes neste mês. No exterior, o tom foi de cautela. As negociações entre Estados Unidos e Irã mantiveram os investidores em compasso de espera, com algum suporte defensivo ao dólar. Ainda assim, não houve deterioração relevante do apetite a risco", avalia.

Para a equipe da Ágora Investimentos, investidores globais se mostram ligeiramente mais céticos com a tese em torno da inteligência artificial - e suas consequências em demais setores -, depois que a projeção da Nvidia para 2026 parece ter sido "pouco convincente".

"Em meio a incertezas globais, os ativos (brasileiros) tendem a mostrar desempenho contido também", afirmou a Ágora em relatório a clientes, citando ainda a expectativa de negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã.

No contexto nacional, o mercado acompanhou o resultado do IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), que apresentou queda de 0,73% em fevereiro, segundo dados da FGV (Fundação Getúlio Vargas). O índice é destaque entre os contratos de aluguel e reajustes tarifários.

*Com informações da Reuters

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