Ibovespa fecha estável com decisões de juros no radar; dólar cai a R$ 5,28
Investidores se preparam para a primeira superquarta do ano com expectativa de que Brasil e EUA mantenha as taxas de juros inalteradas

O Ibovespa fechou próximo da estabilidade nesta segunda-feira (26), após passar a maior parte do pregão no vermelho, em dia de correção depois dos recordes históricos da semana anterior.
O movimento ocorreu em um momento em que os investidores estão se preparando para a primeira superquarta do ano, na qual é esperado que tanto o Banco Central brasileiro quanto o Federal Reserve (Fed, banco central americano) mantenham suas taxas de juros inalteradas. Ambos os bancos centrais anunciam suas decisões na quarta-feira.
Depois de encostar nos 180 mil pontos e acumular mais de 8% de ganho só na semana passada, a bolsa brasileira teve um dia de ajustes, com perdas modestas ao longo da sessão.
O Ibovespa fechou em leve queda de 0,08%, aos 178.720,68 pontos -- na máxima do dia chegou aos 179.543,03 pontos.
Na última semana, o índice acionário acumulou ganho de 8,53%, ampliando a valorização do começo de ano para 11,01%, impulsionado principalmente por compras de estrangeiros que, apenas neste mês, já são responsáveis por uma entrada líquida de R$ 12,35 bilhões na bolsa paulista, segundo dados da B3 até o dia 21.
"Poderíamos esperar uma correção até mais forte no curto prazo após o índice tocar os 180 mil pontos, porém a queda expressiva do dólar americano frente a todos os pares globais pode ter amortecido a queda", destacou Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.
As quedas mais expressivas foram observadas justamente em papéis de setores que tiveram máximas históricas, como os de energia e ligados ao setor industrial.
"Esse movimento é típico quando investidores ficam em compasso de espera antes de dados macro importantes e diante de notícias externas que influenciam o sentimento", disse Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
O dólar encerrou o dia praticamente estável ante o real, enquanto no exterior a moeda norte-americana sustentou baixas ante a maior parte das demais divisas, com investidores à espera das decisões sobre juros no Brasil e nos EUA na próxima quarta-feira.
O dólar à vista fechou com leve recuo de 0,14%, aos R$ 5,2800, no menor valor de fechamento desde 11 de novembro do ano passado. Em 2026, a divisa acumula baixa de 3,81%.
No Brasil, a aposta majoritária do mercado é de que o Banco Central mantenha a Selic nos atuais 15% ao ano, enquanto o Fed siga com sua taxa na faixa de 3,50% a 3,75%. Dessa forma, as atenções se voltarão principalmente para os comunicados de ambas as instituições, na busca por sinalizações sobre os próximos passos.
Em relação à geopolítica, Trump deu um alívio temporário aos mercados na semana passada quando pareceu recuar das ameaças de impor tarifas aos aliados europeus caso eles não o deixassem assumir o controle da Groenlândia.
No entanto, com a perspectiva de mais sanções contra o Irã no horizonte, não havia trégua no nervosismo dos investidores.
Nesse cenário, o ouro ultrapassou US$5.000 a onça pela primeira vez na história, enquanto o dólar recuava contra uma cesta de moedas.
*Com informações da Reuters


