Ibovespa fecha em queda com incerteza sobre guerra; dólar sobe a R$ 5,25

Investidores também digerem os dados de inflação no Brasil, com o IPCA-15 desacelerando menos do que o previsto em março

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
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O sinal negativo prevaleceu na bolsa paulista nesta quinta-feira (26), com a aversão a risco global desencadeada por incertezas envolvendo um desfecho para o conflito no Oriente Médio voltando a derrubar o Ibovespa após três altas seguidas

O Ibovespa fechou em queda de 1,45%, aos 182.732,67 pontos.

O principal índice da bolsa marcou 182.570,44 pontos na mínima e 185.423,77 pontos na máxima do dia. O volume financeiro somou R$ 26,5 bilhões.

Já o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,70%, cotado a R$ 5,2574 na venda. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 4,22%.

As preocupações com os efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio voltaram a impulsionar o dólar ao redor do mundo nesta quinta-feira, com a moeda terminando a sessão no Brasil acima dos R$ 5,25, mesmo após o Banco Central ter injetado US$ 1 bilhão no mercado.

"O mercado segue sensível às manchetes sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã, com sinais mistos quanto a uma possível resolução", afirmou a equipe da XP Investimentos em relatório a clientes mais cedo.

"Apesar de autoridades iranianas indicarem que estão revisando uma proposta americana, o país reiterou que não pretende conduzir negociações diretas com os EUA, mantendo elevada a incerteza."

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quinta-feira que o Irã precisa chegar a um acordo para encerrar a guerra ou enfrentará uma ofensiva contínua, mas uma fonte iraniana afirmou à Reuters que a proposta dos EUA é "unilateral e injusta".

No exterior, o barril de petróleo Brent avança cerca de 4%, acima de US$ 100, enquanto o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou em baixa de cerca de 2%.

A pauta brasileira destacava o IPCA-15 de março, com alta de 0,44%, após avanço de 0,84% em fevereiro, segundo o IBGE, acima das previsões compiladas pela Reuters, que apontavam acréscimo de 0,29%. Em 12 meses, o índice subiu 3,90%.

De acordo com economistas do Bradesco, a surpresa no IPCA-15 foi concentrada basicamente em passagens aéreas e, em menor magnitude, alimentos no domicílio, esperando um resultado para o mês ainda mais elevado.

Eles destacaram que, com a atual conjuntura, com aumentos dos custos de combustíveis e fertilizantes, será mais difícil uma devolução da alta desses grupos no curto prazo.

"A geopolítica segue como maior risco para nosso cenário de inflação neste ano."

Para estrategistas do Safra, embora o mercado ainda esteja hesitante quanto a como as tensões geopolíticas podem afetar a inflação, ainda há espaço para cortes de juros no Brasil.

"Assim, o ambiente volátil pode ser visto como uma oportunidade para buscar alternativas no mercado de ações", afirmaram em relatório a clientes, elevando a previsão para o Ibovespa no final do ano para 220 mil pontos.

Inflação no Brasil

O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15), considerada a prévia da inflação no Brasil, teve alta de 0,44% durante o mês de março, mostrando desaceleração após avanço de 0,84% em fevereiro. Os dados foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nesta quinta-feira (26).

O IPCA-15 estima a variação de preços coletados entre meados do mês anterior até meados do mês seguinte. Os dados de março mostram que todos os nove grupos pesquisados pelo IBGE tiveram alta em março.

O dados mostraram ainda recuo de 0,03% dos combustíveis, com quedas nos preços do gás veicular (-2,27%), do etanol (-0,61%) e da gasolina (-0,08%), enquanto o óleo diesel subiu 3,77%. Ainda assim os custos dos Transportes avançaram 0,21%, com alta de 5,94% das passagens aéreas.

O cenário para a inflação global passou a ser afetado pelo avanço dos preços do petróleo diante da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no final de fevereiro.

*Com informações da Reuters 

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