Ibovespa tem ganhos de 4% em fevereiro e dólar encerra mês com perdas de 2%

Principal índice da bolsa fecha no positivo pelo sétimo mês seguido impulsionado pelo fluxo de estrangeiros para as ações brasileiras

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
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O Ibovespa fechou o dia em queda nesta sexta-feira (27), mas assegurou mais um desempenho mensal positivo, o sétimo seguido, marcado por novas máximas históricas, novamente sustentadas pelo fluxo de estrangeiros para as ações brasileiras.

As perdas em Wall Street e o IPCA-15 acima do esperado corroboraram a correção negativa no último pregão do mês, também marcado pelo anúncio do Bradesco sobre consolidação de seus negócios de saúde e repercussão de resultados corporativos.

O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 1,16%, aos 188.786,98 pontos, acumulando declínio de 0,92% na semana. No mês, teve ganhos de 4,09%.

O principal índice da bolsa tocou os 191.005,02 pontos na máxima e marcou 188.478,08 pontos na mínima do dia. O volume financeiro somou R$ 35,6 bilhões.

Dados da B3 sobre a movimentação de investidores estrangeiros na bolsa mostram uma entrada líquida de mais de R$ 15 bilhões em fevereiro até o dia 25, elevando para quase R$ 41,6 bilhões o saldo positivo de capital externo no ano.

Já o dólar à vista fechou com baixa de 0,09%, cotado a R$ 5,1344. Na semana, a divisa acumulou queda de 0,81% e, no mês, recuo de 2,17%. No acumulado de 2026, o dólar à vista registra queda de 6,46%.

O último pregão da semana também foi marcado por perdas em Wall Street, com o S&P 500 pressionado por receios envolvendo inteligência artificial, que afetavam as ações de tecnologia.

De acordo com o gestor de renda variável Daniel Utsch, da Nero Capital, é um dia negativo no exterior, assim como para papéis relacionados à economia doméstica, após o IPCA-15.

Mas, acrescentou, o efeito da alta do petróleo em Petrobras e a repercussão positiva do relevante anúncio do Bradesco acabam freando a pressão negativa sobre o Ibovespa, dado os pesos significativos que ambos detêm na composição do índice.

"Isso está fazendo com que o índice tenha um dia quase zero a zero em um dia negativo relevante", observou.

Para Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, apesar do Ibovespa caminhar para fechar o dia no positivo, o dia foi pesado no Ibovespa por conta dos dados de inflação acima das projeções.

"Ainda não é o IPCA fechado, então tem a possibilidade de que o número fechado seja um pouco melhor, mas o número dos setores de educação e transporte acabaram pesando bastante. Isso trouxe estresse na curva de juros, com alguns investidores desmontando as apostas que o Banco Central pudesse fazer um ciclo mais rápido no corte de juros", analisa.

Câmbio

Após superar os R$ 5,17 pela manhã, em meio à disputa dos investidores pela formação da Ptax de fim de mês, o dólar perdeu força ante o real e fechou a sexta-feira muito próximo da estabilidade, com a moeda norte-americana também demonstrando maior fraqueza no exterior no fim da tarde.

O dólar à vista encerrou a sessão com leve baixa de 0,09%, aos R$5,1344. Na semana, a divisa acumulou queda de 0,81% e, no mês, recuo de 2,17%. No acumulado de 2026, o dólar à vista registra queda de 6,46%.

Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).

Em função da disputa, houve maior volatilidade na primeira metade da sessão, em especial nos horários próximos às janelas de coleta do BC, às 10h, 11h, 12h e 13h.

Definida a Ptax (R$ 5,1495 na venda), o dólar passou a oscilar sem a pressão técnica vista mais cedo, se reposicionando próximo da estabilidade ante o real durante a tarde.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos - cuja taxa hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% - vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao

Inflação no Brasil

Os preços das mensalidades escolares e dos transportes pressionaram a inflação e o IPCA-15 subiu bem mais do que o esperado em fevereiro, em meio a expectativa de cortes de juros pelo BC (Banco Central) em março.

O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15) teve em fevereiro avanço de 0,84%depois de subir 0,20% em janeiro, resultado que ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 0,57%.

Ainda assim, os dados divulgados nesta sexta-feira (27) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostraram que, em 12 meses, a alta do IPCA-15 desacelerou a 4,10%, de 4,50% no mês anterior. No entanto, também ficou bem acima da projeção de 3,82%.

meta contínua para a inflação é de 3,0% medido pelo IPCA, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Com a taxa básica de juros em 15%, o BC volta a se reunir no mês que vem para decidir sobre a Selic em meio a amplas expectativas de que inicie um ciclo de cortes.

*Com informações da Reuters

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