Bolsa fecha na mínima em 3 meses e dólar ronda R$ 5,60 com tarifas no radar
Movimentos do real nesta sessão tinham como pano de fundo a forte alta do dólar no exterior depois que Trump anunciou um acordo com a União Europeia

O dólar à vista fechou o dia em alta ante o real nesta segunda-feira (28), enquanto a bolsa caiu à mínima em três meses, após o anúncio de um acordo comercial entre Estados Unidos e União Europeia, com investidores no Brasil também dando preferência a posições defensivas na moeda norte-americana, a poucos dias do tarifaço de Donald Trump sobre os produtos brasileiros.
O dólar à vista subiu 0,54%, a R$ 5,5925 na venda, no maior valor desde 4 de junho, quando encerrou a R$ 5,645. No ano, porém, o dólar acumula baixa de 9,49%.
Já o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, recuou pela terceira sessão seguida, com uma baixa de 1,04%, a 132.129,26 pontos — marcando uma mínima em mais de três meses.
Cenário externo
Os movimentos do real nesta sessão tinham como pano de fundo a forte alta do dólar no exterior depois que Trump anunciou um acordo com a União Europeia que inclui uma tarifa de 15% sobre os produtos exportados pela UE, além de compras de energia e equipamentos militares norte-americanos por parte do bloco europeu.
O acordo encerrou meses de tensões comerciais entre os dois parceiros, que tinha tido mais recentemente a ameaça do presidente norte-americano de impor tarifa de 30% sobre a UE a partir de 1º de agosto caso ambos não alcançassem um pacto tarifário.
Enquanto em outros mercados o acordo fomentava apetite por risco, no mercado de câmbio o anúncio trazia força para o dólar, uma vez que nos últimos meses a moeda dos EUA se enfraqueceu com a perspectiva de que a maior economia do mundo seria a principal prejudicada por uma guerra comercial global.
O entendimento com a UE, que se seguiu ao fechamento de um acordo com o Japão na semana passada, deixava os investidores menos apreensivos com os ativos norte-americanos, o que representava um reposicionamento em posições compradas no dólar.
O índice do dólar – que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas – subia 0,55%, a 98,149.
Cenário no Brasil
No Brasil, as atenções também estão voltadas para o comércio, mas com um sentimento mais pessimista, já que o mercado vê cada vez menos espaço para o governo brasileiro impedir uma taxa de 50% pelos EUA em 1º de agosto.
Na sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou as tentativas que o governo vem fazendo de abrir um canal de comunicação com os EUA, destacando o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, como um "exímio negociador".
Entretanto, o governo não teve sucesso até agora. Alckmin informou na quinta que durante o final de semana teve uma conversa com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, em que pediu a reabertura das negociações.
Um motivo pelo qual analistas estão receosos quanto à possibilidade de um acordo é que, no caso do Brasil, Trump vinculou a tarifa a uma questão política – o tratamento que o ex-presidente Jair Bolsonaro vem recebendo do STF (Supremo Tribunal Federal) – e não comercial.
"Agora, o Brasil entra no radar de Washington e uma nova tarifa de até 50% pode ser anunciada a partir de 1º de agosto. A medida, vista como retaliação política, eleva o grau de incerteza sobre o câmbio e as exportações brasileiras", disse Diego Costa, head de câmbio para o Norte e Nordeste da B&T XP.
Ainda nesta semana, os mercados também avaliarão decisões de bancos centrais ao redor do mundo, com destaque para o Banco Central do Brasil e o Federal Reserve, que anunciarão suas decisões de juros na quarta-feira (30). A expectativa é que ambos mantenham suas taxas.
Mais cedo, analistas consultados pelo BC em sua pesquisa Focus mantiveram a projeção de que a taxa Selic permanecerá no atual patamar de 15% até o fim deste ano, caindo para 12,50% ao fim de 2026.
*Com informações da Reuters


