Bolsa cai 0,70% no mês em meio a incertezas globais; dólar fica em R$ 5,17

Bolsa fecha março no negativo e freia série de ganhos mensais com aversão ao risco

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
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O Ibovespa fechou em alta de mais de 2% nesta terça-feira (31), superando os 187 mil pontos, mas ainda assim registrou o primeiro mês negativo desde meados do ano passado, contaminado pela aversão a risco global com a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã que ultrapassa quatro semanas.

A esperança de desescalada do conflito abriu espaço para a alta dos índices de ações e para a baixa do dólar ao redor do mundo.

O Ibovespa encerrou o dia com avanço de 2,71%, aos 187.461,84 pontos. No mês, acumulou perda de 0,70%, mas ainda assegurou alta de 16,35% no primeiro trimestre.

Já o dólar fechou em queda de 1,28%, cotado a R$ 5,1791. No acumulado de março, subiu 0,87%. No primeiro trimestre do ano, a moeda acumulou baixa de 5,65%.

O principal índice da bolsa marcou 187.507,77 na máxima e 182.515,40 na mínima do dia. O volume financeiro no pregão desta terça-feira somava R$ 37,9 bilhões.

A performance positiva no pregão paulista no dia apoiou-se em noticiário sobre possível alívio no conflito no Oriente Médio, enquanto o cenário corporativa brasileiro destacou acordo para a Advent comprar participação na Natura, o que fez a ação da empresa de cosméticos disparar quase 13%.

No exterior, Wall Street também fechou com sinal positivo, com agentes financeiros ponderando reportagem do Wall Street Journal, de que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse a assessores estar disposto a encerrar a campanha militar contra o Irã mesmo que o Estreito de Ormuz ficasse praticamente fechado.

Também repercutiram reportagens, incluindo da Bloomberg, de que o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse que o país estava pronto para encerrar a guerra, mas quer garantias.

De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, esses sinais de potencial arrefecimento no conflito animaram a bolsa, embora ainda exista muita cautela em relação ao cenário geopolítico.

A sessão também foi marcada por novo ataque a um petroleiro no Oriente Médio e alerta do secretário de Defesa dos EUA sobre dias decisivos no conflito, enquanto a Guarda Revolucionária do Irã também disse que atingirá empresas dos EUA na região a partir de 1º de abril, em retaliação a ataques contra o Irã.

"A guerra entre EUA, Israel e Irã transformou o conflito no Golfo em variável central do cenário global", afirmaram economistas do Bradesco em relatório a clientes, acrescentando que o conflito continua sendo fonte importante de incerteza e que as próximas semanas serão decisivas.

"Os principais riscos para o cenário global são assimétricos: petróleo mais caro, mais pressão inflacionária e crescimento mais fraco", destacaram Fernando Honorato e equipe.

Apesar da queda do Ibovespa e do clima de incertezas no mundo com a guerra, a bolsa paulista registrava saldo positivo de capital externo em março até o último dia 26 de quase R$ 7,9 bilhões, totalizando uma entrada líquida de estrangeiros R$ 49,6 bilhões no mercado secundário de ações brasileiro em 2026.

"Já vínhamos com uma visão construtiva para o Brasil no início deste ano e ao longo de todo o ano passado", afirmou à Reuters Rashmi Gupta, gestora de portfólio multiativos no JPMorgan Private Bank, em Nova York.

"Diante do atual ambiente macro e do aumento do risco geopolítico, posso dizer que ampliamos ainda mais nossa alocação em Brasil. É um dos mercados com exposição relevante a energia e commodities, que pode ser favorecido em um ambiente de alta nos preços do petróleo", acrescentou.

*Com informações da Reuters 

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