Ibovespa fecha em queda pela 8ª semana seguida; dólar sobe a R$ 5,15
Principal índice da bolsa encerra o dia abaixo de 170 mil pontos pela 1ª vez desde janeiro

O Ibovespa fechou abaixo dos 170 mil pontos pela primeira vez desde janeiro nesta sexta-feira (5), após dados robustos sobre o mercado de trabalho norte-americano elevarem as apostas de uma alta dos juros nos Estados Unidos neste ano.
O principal índice da bolsa caiu 0,77%, a 169.019,12 pontos.
Na semana, acumulou um declínio de 2,74%, completando oito perdas semanais seguidas, a maior sequência na série histórica até 1982, conforme dados da LSEG.
Já o dólar à vista encerrou com alta de 1,76%, aos R$ 5,1555 - maior cotação desde 2 de abril, quando atingiu R$ 5,1599 na esteira da guerra no Oriente Médio.
Na semana, a moeda acumula alta de 2,18% e, no ano, baixa de 6,08%.
O Departamento do Trabalho dos EUA informou que foram gerados 172 mil postos de trabalho em maio, bem acima dos 85 mil projetados por economistas ouvidos pela Reuters.
O número deu força à percepção de que o Fed (Federal Reserve) tende a trabalhar com taxas de juros mais elevadas, ainda mais em um contexto de guerra no Oriente Médio, o que impulsionou os rendimentos dos Treasuries.
No fim da tarde, segundo a ferramenta FedWatch da CME, o mercado precificava uma probabilidade de 42,8% de o Federal Reserve elevar a taxa de juros para um intervalo entre 3,75% e 4%, da faixa atual entre 3,50% e 3,75%. Na véspera, a chance era de 38,2%.
O FedWatch também mostrou uma probabilidade maior para a taxa chegar ao intervalo de 4% a 4,25% na última reunião do ano - de 22,4%, ante 10,9% na quinta-feira.
"O número afasta o fantasma de recessão nos EUA, mas pode ter um efeito de 'good news is bad news', à medida que pode motivar o Fed a apertar os cintos e manter juros altos por ainda mais tempo, conforme um mercado de trabalho aquecido tende a pressionar a inflação", ponderou a estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, citando a máxima do mercado que diz que "boa notícia é má notícia".
Nesta volta do feriado, as atenções também seguiram voltadas para o Oriente Médio, após o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, ter rejeitado na quinta-feira um novo cessar-fogo no Líbano, enquanto Israel disse que não iria retirar as tropas do país.
Essas decisões minam um possível entendimento entre Teerã e Washington, já que o Irã vem considerando o cessar-fogo entre Israel e Hezbollah como requisito para um acordo de paz com os EUA.
*Com informações da Reuters


