Dólar sobe a R$ 5,69 com decisões de juros em foco; Ibovespa cai
Sessão é marcada pela expectativa das reuniões dos BCs do Brasil e dos EUA na próxima quarta-feira (7)

O dólar fechou esta segunda-feira (5) em alta ante o real, mas ainda abaixo dos R$ 5,70, em uma sessão no geral negativa para os ativos brasileiros e marcada pela expectativa antes das decisões sobre juros no Brasil e nos EUA, na próxima quarta-feira (7). A bolsa brasileira caiu, puxada pelas ações da Petrobras.
A moeda norte-americana subiu 0,61%, a R$ 5,6905 na venda, após ter iniciado o pregão em queda. Na sexta-feira (2), o dólar à vista fechou em baixa de 0,36%, a R$ 5,6561. No ano, a divisa acumula baixa de 7,91%.
Já o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, encerrou o pregão no campo negativo e caiu 1,22%, nos 133.491,23 pontos, puxado em maior parte pelo declínio das ações da Petrobras, que anunciou seu terceiro corte no preço do diesel este ano — para uma mínima desde agosto de 2023.
Contexto internacional
Os movimentos do real ocorriam na esteira de perdas amplas da divisa norte-americana no exterior, incluindo quedas ante pares fortes, como o euro e o iene, e pares emergentes, como o rand sul-africano e o peso chileno.
Como pano de fundo das negociações cambiais estava o otimismo desencadeado na semana passada por sinalização de Pequim de que estaria analisando uma proposta de Washington para iniciar discussões comerciais, o que levantou expectativas pelo fim do impasse tarifários.
Dados fortes de emprego dos EUA na sexta também forneceram alívio aos investidores, mostrando que o mercado de trabalho do país continua estável e afastando algumas preocupações de recessão, que vinham crescendo diante da escalada do conflito comercial entre as duas maiores economias do mundo.
Na mais recente notícia sobre a política tarifária, o presidente Donald Trump disse no domingo que os EUA estão se reunindo com muitos países, incluindo a China, para tratar de acordos comerciais, e que sua principal prioridade com Pequim é garantir um acordo comercial justo.
Em relação ao Brasil, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou no domingo que conversou com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, sobre a política tarifária norte-americana, apontando que os dois países estão negociando os "termos de um entendimento" em relação à questão.
O índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,37%, a 99,509.
Ao longo da semana, as atenções se voltarão para decisões de bancos centrais. O destaque será o anúncio do Fed na quarta-feira, com a expectativa de que manterá a taxa de juros inalterada. O Banco da Inglaterra, por sua vez, divulgará sua decisão na quinta-feira.
O Comitê de Política Monetária (Copom) publicará sua decisão na quarta, tendo já anunciado anteriormente que deve elevar a taxa Selic, agora em 14,25% ao ano, em uma magnitude menor que os aumentos anteriores recentes de 1 ponto percentual.
Operadores estão projetando 68% de chance de o Copom elevar a Selic em 0,5 ponto, com 32% das apostas apontando para uma alta menor, de 0,25 ponto.
O foco dos investidores estará principalmente na forma como as autoridades desses bancos centrais veem os impactos das incertezas comerciais no crescimento econômico e na inflação.
"A escalada das tensões comerciais globais... introduziu novas incertezas ao panorama internacional. Para o Brasil, contudo, os efeitos esperados são de natureza desinflacionária, embora ainda persistam algumas dúvidas", disseram analistas do BTG Pactual em relatório.
Cenário no Brasil
Na cena doméstica, analistas consultados pelo BC em sua pesquisa Focus alteraram a projeção para o nível da taxa básica de juros ao fim deste ano pela primeira vez em 17 semanas, enquanto mantiveram a expectativa para 2026.
O levantamento mostrou que a mediana das projeções para a Selic ao fim de 2025 agora é de 14,75%, após 16 semanas consecutivas em que a expectativa esteve em 15,00%, enquanto para 2026 a previsão continua sendo de que a taxa atingirá 12,50%.
Além disso, a Petrobras informou nesta segunda-feira que reduzirá seu preço médio de venda de diesel para as distribuidoras em 4,7%, para R$ 3,27 por litro, a partir de terça-feira (6).
A redução de R$ 0,16 por litro — o terceiro corte do combustível fóssil desde o início de abril — ocorreu na esteira de um mergulho dos preços do petróleo Brent no último mês, com uma escalada da guerra tarifária entre Estados Unidos e China e notícias sobre o aumento da oferta global.
Com isso, as ações preferenciais da estatal caíram 3,73%, enquanto as ordinárias tiveram recuo de 2,81%.
*Com informações da Reuters


