Ibovespa tomba 2% com incertezas no Oriente Médio; dólar sobe a R$ 5,28

Investidores seguem monitorando os desdobramentos da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, enquanto aguarda balanço da Petrobras

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
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O Ibovespa fechou em baixa nesta quinta-feira (5), enquanto o mercado segue monitorando os desdobramentos da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. O conflito no Oriente Médio chega ao seu sexto dia com os investidores globais voltando a buscar ativos de menor risco, o que no Brasil impulsionou o dólar a subir mais de 1% e faz a bolsa ceder acima de 2%.

Na agenda corporativa, os agentes aguardam a publicação de balanços, com destaque para a Petrobras, que divulga seus resultados após o fechamento.

O Ibovespa fechou em forte queda de 2,64%, aos 180.463,84 pontos.

O principal índice da bolsa marcou 179.895,37 na mínima e 185.366,35 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$ 32,6 bilhões.

De acordo com a gestora de renda variável Isabel Lemos, da Fator Gestão, o conflito adicionou um sentimento de insegurança, que tem motivado posições mais defensivas.

"O investidor se sente mais inseguro e acaba vendendo o que tem gordura", afirmou, citando o rali recente das ações brasileiras, com o Ibovespa acumulando no ano até a última sexta-feira, antes do início da guerra, uma alta de mais de 17%.

"No curtíssimo prazo, a bolsa está em cenário de incerteza e isso está fazendo alguns agentes venderem um pouco."

Enquanto isso, o dólar encerrou o dia em alta no Brasil, acompanhando o avanço da moeda no exterior, com investidores voltando a buscar a segurança da divisa americana em meio à guerra de EUA e Israel contra o Irã.

O dólar à vista fechou com alta de 1,33%, aos R$ 5,2879. No ano, a divisa acumula agora queda de 3,66%.

"No momento, com base nas notícias conhecidas, não é possível prever quanto tempo este conflito irá durar e/ou se vai escalar. Assim, R$5,20 ou menos, com base nas recomendações passadas, é nível interessante para termos proteção, principalmente para aqueles que estão mais expostos, menos comprados", disse em uma análise o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em recomendação para importadores.

"Ainda é cedo para afirmar que o pior já passou. O dólar acima de R$ 5,30 ou R$ 5,34 tende a estressar, é preciso ter esta ponderação", acrescentou,

Em meio à troca de mísseis no Oriente Médio, os índices de ações em Wall Street recuaram e o petróleo voltou a subir, elevando as preocupações sobre a inflação nos países.

O Irã prometeu se vingar do ataque com torpedos dos Estados Unidos a um navio de guerra iraniano na costa do Sri Lanka, que matou mais de 80 marinheiros a milhares de quilômetros da zona de combate. O ministro das Relações Exteriores do Irã disse que o navio foi atingido sem aviso prévio em águas internacionais e que Washington “se arrependeria amargamente” do precedente que estabeleceu.

"Temos observado cada vez mais receios em relação ao estreito de Ormuz, já que tende a impactar o mundo como um todo", destacou Bruna Centeno, economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos.

Aproximadamente 300 petroleiros permanecem dentro do estreito, já que o tráfego de embarcações que entravam e saíam do local quase parou após o início da guerra, de acordo com dados de rastreamento de navios da Vortexa e da Kpler, que excluem alguns dos petroleiros menores.

Nesse contexto, o preço do petróleo disparou, com o Brent subindo 4,93%, a US$ 85,41, enquanto o WTI, referencia no mercado americano subiu 8,51%, para US$ 81,01 por barril - o maior nível desde 2024.

*Com informações da Reuters

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