Ibovespa fecha em queda no dia seguinte à decisão de juros; dólar recua

Banco Central decidiu cortar 0,25% na Selic na noite de ontem (6); Bradesco e Vivara divulgaram seus resultados do 2º trimestre

Manuela Miniguini, da CNN Brasil
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O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira (6), abaixo dos 176 mil pontos, após o Banco Central reduzir a Selic a 14% ao ano, mas não sinalizar os próximos passos.

Investidores também repercutiram uma bateria de resultados corporativos, entre eles os números de Bradesco e Axia, enquanto o final do dia reserva novas divulgações, incluindo o balanço da Petrobras.

O principal índice do mercado acionário brasileiro recuou 1,14%, a 175.701,78 pontos, de acordo com dados preliminares.

Na mínima, chegou a 175.514,86 pontos. Na máxima, marcou 177.720 pontos.

Já no mercado de câmbio, o dólar fechou a sessão em baixa no Brasil e novamente na faixa de R$ 5,10, na contramão do exterior, onde a moeda norte-americana se firmou em alta ante a maioria das demais divisas, em meio a novas ameaças do Irã aos EUA.

A divisa norte-americana encerrou com queda de 0,44%, aos R$ 5,1055 na venda.

Na noite de ontem (5), petroleiros que navegavam pelo Estreito de Ormuz escutaram duas explosões pela rota, segundo a organização que monitora o tráfego marítimo na região. Não houve registro de danos ambientais.

Pela manhã, um diplomata iraniano do alto escalão, Kazem Gharibabadi, afirmou que Irã e Omã estão prestes a finalizar um acordo sobre novos procedimentos para a navegação comercial pelo Estreito de Ormuz.

Além do acordo, a comissão parlamentar iraniana está analisando um projeto de lei preliminar que proibiria navios dos EUA, de Israel e de outros países considerados "hostis" de transitarem pela rota, o que pode ter acentuado a alta da commodity. 

Após passar a manhã na casa do 1%, às 14h17, o petróleo Brent subia 4,08%, cotado a US$ 82,73; enquanto o WTI subia 3,64%, a US$ 77,75 o barril.

Decisão de juros e balanços limitam o Ibovespa hoje

Acionistas digerem ainda a decisão de juros realizada pelo Banco Central ontem, em reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Como resultado, o colegiado decidiu cortar 0,25 ponto percentual, trazendo a Selic para 14% ao ano. 

A decisão foi tomada de forma unânime pela cúpula da autoridade monetária.

O resultado já era amplamente esperado pelo mercado e marca a quarta redução seguida na taxa básica. O atual ciclo de arrefecimento foi deflagrado em março deste ano, quando a Selic passou de 15% - patamar mantido desde junho de 2025 - para 14,75%.

Segundo o comunicado, medidas que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, acabam por enfraquecer parte dos canais usuais de transmissão da política monetária.

"O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza", diz a nota da autoridade monetária.

O Banco Central conclui a nota com um tom mais uma vez de cautela e diz que o cenário atual é caracterizado por "significativo aumento da incerteza". Sendo assim, demanda "serenidade e cautela na condução da política monetária".

Os novos juros não são os únicos fatores limitantes para o mercado brasileiro hoje. Diversas empresas divulgaram seus balanços entre a noite de ontem e a manhã desta quinta-feira.

Bradesco reportou ​nesta quarta-feira (5) lucro ​líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre, alta de 16,2% em relação ao mesmo período do ano passado e de 3,5% frente ⁠ao ​primeiro trimestre de 2026.

Previsões compiladas pela LSEG apontavam lucro de R$ 7 bilhões, com ROE ‌de 16,08%. O resultado em linha com as expectativas, no entanto, não foi suficiente para sustentar as altas dos papéis e, durante a tarde, as ações do BBDC3 cedias 1,71%, cotadas a R$ 1,71%.

No setor das varejistas, a Vivara também anunciou seu balanço na manhã de hoje. ​A rede ​de joalherias Vivara teve lucro líquido de R$ 156,7 milhões no segundo trimestre, praticamente estável em ⁠relação ​ao resultado obtido ​no mesmo período de ⁠2025.

Ebitda de R$ 205 milhões ficou ‌abaixo da previsão de analistas que esperavam, em média, R$ 237,8 milhões ‌para a companhia no período, segundo dados ⁠compilados pela LSEG. Às 14h28, as ações da Vivara cediam quase 2,2%, cotadas a R$ 21,80.

Dentre os destaques positivos do principal índice da B3 encontra-se a Cyrela, que após celebrar um memorando de entendimento sobre a venda de R$ 2,14 bilhões em ativos para a TRX Real State e gestora de recursos.

Durante a tarde, os papéis preferenciais da construtora avançavam 2,34%, a R$ 21,00 a ação.

*Com informações da Reuters

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