Dólar sobe a R$ 5,48 e bolsa cai mais de 1% com tarifas dos EUA no radar
Trump anunciou novas tarifas a uma série de países e voltou a ameaçar Brics e economias que apoiarem medidas "anti-americanas"

O dólar à vista voltou a subir fortemente contra o real nesta segunda-feira (7), conforme os investidores reagiam a novidades sobre a política comercial dos Estados Unidos, que incluíam um aparente adiamento nas tarifas, mas uma nova ameaça sobre países alinhados ao grupo Brics.
A divisa norte-americana fechou o dia 1,04%, a R$ 5,4809 na venda. Na sexta-feira (4), o dólar à vista fechou em alta de 0,37%, a R$ 5,4245.
Já o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caiu 1,26%, a 139.489,7 pontos.
Cenário externo
Na mais recente notícia sobre o tema, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o país está perto de finalizar acordos nos próximos dias. Ademais, a Casa Branca sinalizou que deve estender o período no qual as tarifas recíprocas vão se manter mais baixas, em 10%.
Apesar do alívio numa ponta, uma nova ameaça tarifária de Trump sobre os países alinhados ao Brics compensava o efeito positivo do aparente adiamento das outras taxas.
O presidente norte-americano afirmou que os EUA irão impor uma tarifa adicional de 10% a todos os países que se alinharem às "políticas antiamericanas" do Brics, cujos líderes deram início a uma cúpula no Rio de Janeiro no domingo (6).
Em meio às diversas incertezas comerciais, os investidores optavam pela cautela, favorecendo amplamente o dólar.
"O dólar opera refletindo a mudança na estratégia comercial do EUA", disse Eurico Ribeiro, assessor de investimento da B&T XP em nota.
"O presidente Donald Trump postergou para 1º de agosto a data de início das novas tarifas, antes previstas para entrar em vigor em 9 de julho. O desfechos dessas negociações segue como um ponto central para o comportamento dos mercados nas próximas semanas. A expectativa gira em torno da reação dos mais de 100 países que ainda estão for a dos pactos comerciais com os EUA."
Alguns pares do real, como o peso mexicano e o rand sul-africano, tinham quedas ainda mais acentuadas frente à moeda dos EUA.
No resto da semana, que conta com poucos dados econômicos, os mercados globais devem continuar voltados à pauta do comércio.
Cenário doméstico
Já no Brasil, para além das disputas comerciais, o mercado avaliará o relatório do IPCA para junho, na quinta-feira.
O dado deve consolidar seis meses seguidos com a inflação em 12 meses correndo acima da margem de tolerância da meta desde que o novo sistema de meta contínua entrou em vigor, em janeiro, o que obrigará o Banco Central a encaminhar uma carta aberta ao Ministério da Fazenda explicando os motivos do descumprimento do objetivo.
Mais cedo, analistas consultados pelo BC em sua pesquisa Focus reduziram a projeção para a inflação brasileira neste ano pela sexta semana consecutiva. O levantamento mostrou que a expectativa para o IPCA é de alta de 5,18% ao fim deste ano, abaixo da previsão de 5,20% na pesquisa anterior.
Os investidores também continuarão atentos a qualquer novidade em relação ao impasse em torno das tentativas do governo de elevar as alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), com a disputa entre Executivo e Legislativo agora no âmbito do STF (Supremo Tribunal Federal).
*Com informações da Reuters


