Bolsa sobe 0,86% com Petrobras e disparada do petróleo; dólar cai a R$ 5,16
Ibovespa reverteu o sinal para o positivo após Donald Trump dizer que guerra contra o Irã está "praticamente concluída"

O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira (9), após operar parte do pregão no negativo e ganhar fôlego à tarde, em meio a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o país está muito à frente do prazo inicial estimado de quatro a cinco semanas na guerra contra o Irã e que acredita que o conflito está "praticamente concluído".
A alta do índice foi impulsionada pelas ações da Petrobras após disparada no preço do petróleo mais cedo. Os papéis preferencias e ordinários da estatal fecharam em alta de 2,49% e 2,12%, respectivamente.
O Ibovespa fechou com valorização de 0,86%, aos 180.915,36 pontos.
O principal índice da bolsa marcou 181.952,23 na máxima e 177.636,63 na mínima do dia. O volume financeiro somou R$ 37,6 bilhões.
Já o dólar à vista encerrou o dia em queda de 1,45%, cotado a R$ 5,1655 na venda.
O dólar reverteu os ganhos do início da sessão e fechou a segunda-feira em baixa firme no Brasil, em meio à atuação de exportadores e investidores comprados na ponta de venda de moeda e após Trump dizer que a guerra no Oriente Médio está próxima do fim.
"Com o dólar nestes níveis, o exportador vende e o (investidor) comprado também desmonta posição", disse o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.
Investidores comprados são aqueles posicionados na alta do dólar. Quando as cotações atingem determinados níveis, eles vendem dólares - em especial no mercado futuro - para realizar lucros.
No boletim Focus divulgado nesta manhã pelo Banco Central, a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim deste ano pouco mudou apesar da guerra: de R$ 5,42 para R$ 5,41. A taxa básica Selic projetada para o fim de 2026 foi de 12% para 12,13%.
Petróleo
O petróleo fechou em alta nesta segunda-feira, perto dos US$ 100 por barril, após atingindo o maior nível desde meados de 2022, com a guerra no Oriente Médio intensificando as pressões na oferta da commodity à medida que países da região começam a reduzir sua produção. Os preços desaceleraram ao longo do dia depois de relatos de que ministros de Energia do G7 estudam medidas para estabilizar o mercado energético.
Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI, referencia no mercado americano, para abril fechou em alta de 4,26%, a US$ 94,77 o barril.
Já o Brent para maio encerrou o dia em alta de 6,76%, com o barril cotado a US$ 98,96, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
Mais cedo, o WTI chegou a subir 31,4%, atingindo alta de US$ 119,48 por barril na segunda-feira, enquanto o Brent subiu até 29%, para US$ 119,50 por barril - no maior salto de todos os tempos em um único dia depois que países árabes do Golfo reduziram a produção devido ao fechamento do Estreito de Ormuz por ameaças iranianas.
Os preços desta segunda-feira são comparados às máximas históricas de cerca de US$ 147 por barril para os contratos alcançados em 2008, de acordo com dados da LSEG que remontam à década de 1980.
Os preços arrefeceram alta após os ministros de Finanças do G7 sinalizarem disposição em liberar suas reservas para controlar a disparada da commodity, em reunião com a Agência Internacional de Energia (AIE).
Antes do aumento desta segunda-feira, o Brent já havia subido 27% e o WTI 35,6% na semana passada.
De acordo com o responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, a semana começa com os mercados globais reagindo à disparada no petróleo e às incertezas geopolíticas envolvendo o Irã.
De pano de fundo para a alta do petróleo está a nomeação de Mojtaba Khamenei como sucessor de seu pai, Ali Khamenei, como líder supremo do Irã, em um sinal de que a linha dura continua firmemente no comando da República Islâmica.
Produtores relevantes também começaram a cortar a produção, entre eles a Saudi Aramco e a Kuweit Petroleum Corporation, enquanto o Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo do mundo, segue praticamente fechado.
"O choque do petróleo muda completamente o pano de fundo da semana", avaliou Pedroso, da Criteria, acrescentando que o salto nos preços da commodity volta a colocar inflação no centro da mesa.
"Se o Brent realmente romper a região de US$ 100 de forma consistente, o debate sobre política monetária global tende a ficar muito mais complicado nas próximas semanas."
*Com informações da Reuters


