Mesmo com recordes do Ibovespa, Verde diminui posição no Brasil

Em carta aos investidores, Luis Stuhlberger detalhou que fundo implementou hedges em suas alocações domésticas

João Nakamura, da CNN Brasil, em São Paulo
Compartilhar matéria

A bolsa brasileira caminha para fechar nesta terça-feira (11) em sua 15ª alta consecutiva, após atingir a marca inédita dos 158 mil pontos. Mesmo assim, um dos principais investidores do país optou por reduzir sua posição no mercado doméstico.

"Em meio a este cenário, reduzimos a alocação em ativos de risco brasileiros, por considerar o retorno prospectivo mais limitado para os riscos e volatilidade que vemos à frente", escreveu Luis Stuhlberger, CEO e CIO da Verde Asset Management.

Em carta aos investidores, Stuhlberger detalhou que o fundo implementou hedges em suas alocações no Brasil, reduzindo a exposição líquida comprada, enquanto a fatia em investimentos globais se manteve estável. Na renda fixa local, a posição em juro real foi mantida.

Sobre os ganhos recentes, o fundo destacou-se em bolsa brasileira, livro de crédito local, exposição em ouro e posição aplicada em juro real no Brasil.

Stuhlberger atribui a alta no país a um "forte fluxo" de capital estrangeiro.

Enquanto isso, a derrota do governo com a derrubada da MP 1.303 — que subia uma série de tributos para permitir uma recalibragem na alta do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) — e a melhora recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de popularidade acrescentam uma pitada de incerteza ao cenário, apontou o gestor na carta.

Cenário externo

A incerteza global aumentou com o mais longo shutdown da história do governo dos Estados Unidos, apontou Stuhlberger. Após mais de 40 dias paralisado, o orçamento norte-americano deve ser retomado em breve após senadores democratas e republicanos chegarem a um acordo.

Além disso, destacou como "a grande força motriz" do mercado norte-americano tem sido a aposta na inteligência artificial e como "cada questionamento sobre a sustentabilidade desse ciclo traz volatilidade desproporcional".

"O fundo conseguiu navegar essa volatilidade com disciplina e continua a carregar posição comprada naquele que vemos como um dos principais beneficiários de uma tendência secular de diversificação de moedas além do dólar", afirmou Stuhlberger.

"Nos EUA mantemos alocação aplicada em juro real e comprada na inflação implícita. Em moedas tivemos mudanças, trocando parte da posição comprada no euro por uma cesta de moedas, continuamos com exposição no renminbi chinês e no ouro, zeramos posição no real, e mantivemos a alocação em cripto. A alocação de crédito local foi reduzida após venda das debentures perpétuas da Vale", descreveu o gestor.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais