Petróleo volta a fechar em US$ 100 após novas tensões no Estreito de Ormuz

Intensificação do conflito atua diretamente na alta dos preços da commodity, promovendo também maiores temores inflacionários

Da CNN Brasil*
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Os preços dos petróleo dispararam 9% nesta quinta-feira (12), com o barril sendo cotado próximo aos US$ 100, em meio a preocupações com um conflito prolongado no Oriente Médio e crescimento das tensões acerca da navegabilidade no Estreito de Ormuz.

Nesta quinta-feira, o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou que o Estreito de Ormuz, rota de comércio de energia mais importante do mundo, deve permanecer fechado como forma de pressão. Além disso, ele prometeu "vingança" pelas mortes iranianas na guerra com os Estados Unidos.

A intensificação da guerra no Oriente Médio atua diretamente na alta dos preços de petróleo, promovendo também maiores temores inflacionários. Com o fechamento do principal canal para a comercialização da commodity, o Estreito de Ormuz, a pressão no fornecimento para outros países se torna cada vez maior.

Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril fechou em alta de 9,74% (US$ 8,48), a US$ 95,73 o barril.

Já o Brent para maio subiu 9,21% (US$ 8,48), a US$ 100,46 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).

 

Para a Capital Economics, a alta nos preços do petróleo na sessão foi impulsionada por imagens de petroleiros em chamas no Estreito de Ormuz, o que acabou ofuscando a notícia de uma liberação recorde de reservas emergenciais de petróleo por países-membros da AIE (Agência Internacional de Energia).

Em relatório divulgado nesta quinta-feira, a consultoria reduziu sua estimativa de crescimento da produção petrolífera global de 2,4 milhões de barris por dia (bpd) para 1,1 milhão de bpd.

O plano da AIE de liberar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas estratégicas, anunciado na quarta-feira (11), não foi suficiente para acalmar os investidores.

“Mesmo que as reservas sejam grandes, a rapidez com que elas podem ser entregues aos mercados não foi testada. Em última análise, um mercado equilibrado por meio de liberações estratégicas de estoques será muito menos eficiente do ponto de vista logístico”, afirmou Joel Hancock, analista de energia do Natixis CIB.

Mais cedo, autoridades de segurança do Iraque informaram que dois navios-tanque em águas iraquianas foram atingidos por barcos iranianos carregados de explosivos. Uma autoridade do país também afirmou à mídia estatal que os portos de petróleo iraquianos “pararam completamente as operações”.

De acordo com a Agência Internacional de Energia, a guerra no Oriente Médio está provocando a maior interrupção no fornecimento de petróleo da história.

No Brasil, investidores também acompanham as medidas do governo para reduzir o impacto da volatilidade do petróleo sobre o preço do diesel. No início da tarde, o governo federal decidiu zerar o PIS e Cofins sobre o combustível, em uma tentativa de conter a alta e reduzir os efeitos da oscilação do petróleo no mercado interno.

No cenário global, as bolsas recuam nesta quinta-feira depois que os ataques a navios petroleiros no Golfo Pérsico e um alerta do Irã abalaram as perspectivas de uma redução iminente do conflito no Oriente Médio, alimentando novas preocupações com a inflação.

A reação dos mercados destaca a rapidez com que as apostas em um fim rápido da guerra, que haviam ganhado força ao longo da semana, estão sendo desfeitas.

Mensagens conflitantes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também aumentaram a cautela dos investidores, que passaram a reduzir posições de risco ou buscar proteção em ativos considerados mais seguros.

*Com informações da Reuters e Agência Estado.

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