Preços do petróleo fecham em alta com fragilidade de cessar-fogo no Irã
Commodity chegou a retornar aos US$ 100 com incertezas sobre a reabertura completa do Estreito de Ormuz

Os preços do petróleo fecharam em alta nesta quinta-feira (9), ainda que tenham reduzidos grande parte dos ganhos ao longo da tarde, com a fragilidade de cessar-fogo no Irã. As incertezas sobre a trégua de duas semanas na guerra do Oriente Médio aumentam as preocupações de que os fluxos através do crucial Estreito de Ormuz permanecerão restritos.
Os contratos futuros do tipo brent fecharam em alta de 1,23%, para US$ 95,92 o barril.
Enquanto o WTI, referência no mercado americano, avançou 3,66%, negociado a US$ 97,87 o barril, desacelerando a alta do início do dia após ter retornado à faixa dos três dígitos pela primeira vez desde o anúncio do cessar-fogo.
A alta ocorre um dia depois de os contratos futuros de petróleo dos EUA terem despencado 16%, ou US$ 18,54, na quarta-feira (9). Foi a maior queda diária do dólar desde o início da negociação de contratos futuros em março de 1983 e a maior queda percentual desde o início da pandemia de Covid-19 em 2020.
No entanto, os analistas disseram que os participantes do mercado estavam hesitantes em eliminar totalmente o prêmio de risco geopolítico e que não havia clareza sobre o que as negociações entre os EUA e o Irã significariam para os fluxos de petróleo.
"As chances de uma reabertura significativa (do estreito) em breve parecem escassas", disse Vandana Hari, fundadora do provedor de análises do mercado de petróleo Vanda Insights, prevendo uma volatilidade contínua nos preços do petróleo.
"O mercado de futuros parece um pouco quebrado", disse ela. Caso contrário, "os preços já deveriam ter voltado aos níveis anteriores ao cessar-fogo".
A hidrovia de Ormuz conecta o fornecimento dos produtores do Golfo Pérsico, como Iraque, Arábia Saudita, Kuweit e Catar, aos mercados globais e, normalmente, transporta cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e gás.
"Mesmo que os embarques sejam retomados, os riscos não desaparecerão da noite para o dia", disse Susannah Streeter, estrategista-chefe de investimentos do Wealth Club.
"Os navios-tanque podem ser forçados a navegar em águas minadas e uma maior presença militar, o que manterá os prêmios de seguro altos e os custos de frete elevados."
A viabilidade do cessar-fogo está em questão em meio aos contínuos ataques israelenses ao Líbano na quarta-feira, levando o Irã a sugerir que seria "irracional" prosseguir com as negociações para forjar um acordo de paz permanente.
Os transportadores disseram na quarta-feira que precisavam de clareza sobre os termos do cessar-fogo antes de retomar o trânsito pelo Estreito de Ormuz. O Irã emitiu mapas para orientar os navios sobre as minas e mostrar caminhos seguros para a passagem, informou a mídia iraniana.
Estreito de Ormuz quase paralisado
O tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz ficou bem abaixo de 10% do volume normal nesta quinta-feira, apesar do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, enquanto Teerã reafirmava seu controle, alertando os navios para que se mantivessem em suas águas territoriais.
Centenas de petroleiros e outros navios estão presos no Golfo Pérsico desde o início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro, reduzindo o fornecimento global de petróleo em 20%, na maior interrupção de abastecimento da história.
Os preços de alguns tipos de petróleo atingiram novos recordes históricos nesta quinta-feira, enquanto a crise mostrava poucos sinais de arrefecimento.
Apenas sete navios atravessaram o estreito nas últimas 24 horas, em comparação com os cerca de 140 habituais, segundo dados de rastreamento.
Entre os navios afetados, estavam um petroleiro e seis graneleiros, segundo dados da Kpler, Lloyd's List Intelligence e Signal Ocean.
Um navio-tanque químico estava prestes a cruzar a fronteira com a Índia, indicavam os dados de rastreamento de navios nas plataformas MarineTraffic e Pole Star Global.
"A maioria das companhias de navegação provavelmente continuará cautelosa, e duas semanas não serão suficientes para eliminar o acúmulo de encomendas, mesmo que haja um aumento significativo no tráfego", disse Torbjorn Soltvedt, da empresa de inteligência de risco Verisk Maplecroft.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã orientou as embarcações a navegarem pelas águas iranianas ao redor da Ilha de Larak para evitar o risco de minas navais nas rotas habituais pelo estreito, informou a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim nesta quinta-feira.
As embarcações deverão entrar no estreito ao norte da Ilha Larak e sair logo ao sul, até novo aviso, em coordenação com a marinha da Guarda Revolucionária, informou a Tasnim.
A empresa britânica de segurança marítima Ambrey afirmou, em um comunicado, que os riscos persistem para navios não autorizados pelo Irã, especialmente aqueles afiliados a Israel e aos EUA.
"Mesmo remessas com aprovação aparente foram devolvidas no meio do transporte nas últimas semanas", afirmou.
*Com informações da CNN Internacional e Reuters


