Petróleo fecha misto com acordo EUA-Irã e aumento do tráfego por Ormuz

Preços da commodity chegaram a cair ao nível mais baixo desde o início da guerra no Oriente Médio

Da CNN Brasil*
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O petróleo fechou em direções opostas nesta quinta-feira (18), enquanto o mercado se concentra no movimento de navios pelo Estreito de Ormuz após a assinatura do acordo entre Estados Unidos e Irã.

A commodity operou volátil perto do fechamento, recuperando-se das mínimas, enquanto o contrato do Brent passou a operar em alta.

Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para agosto fechou em queda de 0,21% (US$ 0,16), a US$ 75,85 o barril.

O petróleo Brent para o mesmo mês, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em alta de 0,38% (US$ 0,30), a US$ 79,85 o barril.

No início do dia, o Brent atingiu seu menor nível desde 2 de março, que foi o primeiro dia de negociações após os ataques iniciais dos EUA e de Israel ao Irã, enquanto o WTI registrou seu menor nível desde 4 de março.

A queda nos preços aconteceu com o avanço do acordo provisório entre os EUA e o Irã para pôr fim ao conflito, reabrir o Estreito de Ormuz e aliviar as sanções contra Teerã melhorou as perspectivas de oferta global.

"A onda de vendas se prolongou à medida que os mercados de energia continuaram a precificar agressivamente um retorno mais rápido do que o esperado dos barris iranianos, após o recente memorando de entendimento entre os EUA e o Irã", afirmou o analista de mercado da IG, Tony Sycamore, em uma nota.

O memorando de 14 pontos dá início a um período de negociação de 60 dias, durante o qual o Irã permitirá a passagem sem pedágio pelo Estreito de Ormuz, uma importante rota de transporte de petróleo e gás. O acordo prevê que o tráfego pelo estreito seja restaurado à sua capacidade total em até 30 dias.

O acordo preliminar adia muitas das questões mais complexas, como o programa nuclear do Irã, e também exige que os EUA e seus parceiros elaborem um plano de US$ 300 bilhões para financiar a recuperação do Irã.

Analistas esperam uma recuperação gradual dos fluxos pelo Estreito de Ormuz, enquanto especialistas do setor alertam que os preços podem não cair drasticamente à medida que a demanda se recupera e os estoques são repostos.

O banco de investimentos Goldman Sachs espera que as exportações do Golfo voltem aos níveis pré-guerra até o final de julho, com a produção de petróleo se recuperando até outubro.

O banco estima que a normalização das exportações aos níveis pré-guerra possa ser alcançada com um aumento de 13 milhões de barris por dia nos fluxos pelo Estreito de Ormuz, passando dos níveis atuais para cerca de 70% dos níveis pré-guerra.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou nesta quinta-feira que Teerã não realizou ataques a embarcações no Estreito de Ormuz pela segunda noite consecutiva e houve uma movimentação de cerca de 12,5 milhões de barris de petróleo pela via marítima. Vance também retirou os planos de viajar para Genebra, na Suíça, para a assinatura do acordo com o país persa. Já o regime iraniano tem pedido a suspensão das sanções ao seu petróleo após a assinatura do acordo com os norte-americanos.

Sobre Ormuz, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que Teerã e Omã chegaram a um acordo sobre os mecanismos de administração do trecho. Segundo ele, a gestão ficará sob responsabilidade compartilhada dos dois países.

Para analistas do Bank of America, o entusiasmo em torno da retomada completa dos fluxos de petróleo do Oriente Médio nas próximas semanas ignora problemas importantes, os quais devem levar meses para serem solucionados.

“Dadas as dificuldades logísticas, isso sugere que os mercados de petróleo podem permanecer em déficit até o 4º trimestre de 2026”, projetam.

*Com informações da Reuters e Agência Estado

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