Tokenização pode acelerar crises, alerta FMI

Nova infraestrutura reduz tempo de reação de investidores

Mariana Suzuki, colaboração para a CNN Brasil*
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A transição para uma infraestrutura financeira baseada em blockchain pode acelerar a resposta dos investidores e criar efeitos em cadeia que levariam a crises financeiras mais agudas e limitariam a reação de autoridades. 

Quem emitiu o alerta foi o FMI (Fundo Monetário Internacional), em relatório publicado na última quinta-feira (3).

“A liquidação atômica e a maior transparência reduzem alguns riscos tradicionais, mas a velocidade e a automação introduzem novos riscos. É provável que situações de tensão nos mercados tokenizados se desenrolem mais rapidamente do que nos sistemas tradicionais, deixando menos tempo para intervenções discricionárias”, diz o relatório.

Na prática, o risco é de que ativos tokenizados tenham alavancas que criem uma ação em cadeia. Um exemplo é a garantia de operações de crédito. A tokenização permite que um ativo seja transferido ao credor no momento em que a inadimplência é identificada.

E, na sequência dessa operação, gatilhos secundários – impostos por outros investidores num mesmo contexto de blockchain – determinariam a venda desses ativos, causando uma depreciação aguda dos papéis. 

Outros gatilhos seguiriam a mesma lógica, com efeitos em cascata. 

Segundo Bernardo Pascowitch, apresentador da Resenha do Dinheiro, é preciso considerar o contexto institucional. 

“O FMI está inserido em um sistema baseado em moedas fiduciárias estatais. O avanço das criptomoedas e da tokenização reduz parte desse controle sobre a dinâmica financeira global”, afirma.

O estudo destaca que a chamada “finança tokenizada” representa uma mudança estrutural no funcionamento do sistema financeiro. 

Ao integrar pagamentos, liquidação e gestão de garantias em ambientes programáveis e contínuos, a tecnologia elimina etapas intermediárias e reduz o tempo que hoje ajuda a absorver choques. 

Para os investidores, a mudança altera a percepção de liquidez. Em condições normais, a negociação contínua tende a facilitar entradas e saídas.

Em cenários adversos, porém, essa mesma velocidade intensifica movimentos simultâneos, pressionando preços e elevando a volatilidade.

Apesar dos riscos, o FMI reconhece ganhos potenciais, como redução de custos operacionais, maior eficiência e ampliação do acesso a mercados. 

O efeito final, segundo a instituição, dependerá da capacidade de adaptação regulatória e da criação de mecanismos compatíveis com um ambiente financeiro que opera em tempo real.

Pascowitch pondera que, embora existam riscos, eles não são exclusivos dessa tecnologia. 

“Qualquer sistema financeiro está sujeito a crises. A tokenização pode aumentar a velocidade de liquidações e trazer novos desafios, especialmente em ambientes menos regulados, mas também traz ganhos relevantes de eficiência e descentralização”, diz.

Para o apresentador, o fator decisivo será a forma como o mercado evolui em termos de regulação e supervisão.

“O caminho não é limitar a tecnologia, mas criar estruturas que acompanhem essa transformação.”

Resenha do Dinheiro 

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Thiago Godoy, o "Papai Financeiro"; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos.

O programa vai abordar semanalmente as principais notícias e movimentos da economia com a leveza de uma conversa informal — como uma resenha entre amigos, no boteco ou após o futebol — mas sem perder a análise e o conteúdo.

A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

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