Wall Street cai com dados econômicos e escalada da guerra no Oriente Médio
Preços do petróleo bruto aumentaram, em meio à intensificação das hostilidades na guerra no Oriente Médio

Os principais índices acionários de Wall Street fecharam em queda nesta sexta-feira (13).
Os investidores avaliam a divulgação de novos dados econômicos para tentar entender as perspectivas para a taxa de juros.
O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos aumentou a uma taxa anualizada de 0,7% no período de outubro a dezembro, informou o Departamento de Comércio americano nesta sexta (13), em sua segunda estimativa. Isso representa uma queda acentuada em relação à taxa de 1,4% inicialmente divulgada e um ritmo mais lento do que os 4,4% registrados no terceiro trimestre.
Os gastos dos consumidores dos Estados Unidos aumentaram um pouco mais do que o esperado em janeiro, o que, juntamente com a força contínua da inflação subjacente e a guerra no Oriente Médio, reforça a visão dos economistas de que o Federal Reserve não retomará o corte da taxa de juros por algum tempo. Os gastos dos consumidores, que respondem por mais de dois terços da atividade econômica, aumentaram 0,4% em janeiro, repetindo a taxa de dezembro.
As vagas de emprego em aberto nos Estados Unidos aumentaram em janeiro, mas as contratações foram fracas. As vagas em aberto, uma medida da demanda de mão de obra, aumentaram em 396.000, chegando a 6,946 milhões no último dia de janeiro, informou o Departamento do Trabalho americano no relatório Jolts nesta sexta (13).
Além disso, a mais recente pesquisa de sentimento da Universidade de Michigan, divulgada nesta sexta-feira (13), mostrou que a guerra com o Irã já começou a afetar os consumidores. O sentimento de confiança caiu cerca de 2% em março, para 55,5, segundo uma leitura preliminar, ante 56,6 no final de fevereiro.
Os preços do petróleo bruto aumentaram, em meio à intensificação das hostilidades na guerra no Oriente Médio. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta sexta (13) em uma coletiva de imprensa que o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, foi "ferido e provavelmente desfigurado", alegando que a liderança iraniana foi severamente enfraquecida como resultado das operações militares americanas.
A promessa de Trump de atingir o Irã "fortemente na próxima semana", combinada com relatos de que o conflito se espalhou para o Líbano, Kuwait, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Omã, diminuiu as esperanças de desescalada e resolução em curto prazo. Os comentários de Trump levaram o Irã a reforçar o controle sobre o Estreito de Ormuz, via de escoamento de um quinto do petróleo mundial.
O Dow Jones caiu 0,26%, para 46.558 pontos e teve perda de 1,99% na semana. O S&P 500 teve baixa de 0,60%, a 6.632 pontos, caindo 1,60% na semana, e o Nasdaq perdeu 0,93%, para 22.105 pontos, com negativa semanal de 1,26%.
O petróleo Brent para maio (ICE), referência global, fechou em alta de 2,67%, para US$ 103,14 o barril. Na semana, acumulou alta de 11,27%. Já o WTI para abril (Nymex), o petróleo bruto de referência dos EUA, avançou 3,11%, negociado a US$ 98,71 o barril - com alta de 8,59% no acumulado da semana.
Os EUA também flexibilizaram as sanções ao petróleo da Rússia e emitiram uma isenção de 30 dias para que os países comprem o petróleo e os produtos petrolíferos russos sancionados que estão atualmente no mar, no que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou ser uma medida para estabilizar os mercados globais agitados pela guerra contra o Irã.
Os países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) concordaram unanimemente, na quarta-feira (11), em liberar 400 milhões de barris de petróleo no mercado global – a maior liberação de reservas emergenciais de petróleo da história. A AIE, na quinta (12), alertou que o conflito está criando a maior interrupção no fornecimento de petróleo da história.
Dentre os destaques do mercado, a fabricante de software de design Adobe perdeu mais de 7%, já que o CEO de longa data, Shantanu Narayen, deixará o cargo assim que um sucessor for nomeado, renovando as preocupações em torno da estratégia diante da disrupção causada pela inteligência artificial.
As ações da Meta caíram mais de 3% após a divulgação de um relatório informando que a empresa adiou o lançamento do modelo de inteligência artificial "Avocado" para maio no mínimo, ao invés deste mês.
*Com informações da Reuters


