Wall Street tem quedas mensais em meio a incertezas com IA

Retorno incerto dos gastos massivos das grandes empresas de tecnologia com IA segue impactando mercado

Da CNN Brasil*
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Os principais índices acionários de Wall Street fecharam em baixa nesta sexta-feira (27), em meio a preocupações com o setor de tecnologia e após os preços ao produtor nos Estados Unidos terem aumentado mais do que o esperado em janeiro.

O S&P 500 e o Nasdaq registraram as maiores quedas mensais desde março de 2025.

O Índice de Preços ao Produtor para a demanda final subiu 0,5% no mês passado, após avançar 0,4% em dezembro em dado revisado para baixo, reforçando as expectativas de que o Federal Reserve dificilmente cortará a taxa básica de juros no curto prazo.

Os mercados financeiros estão atualmente precificando uma probabilidade de 94,1% de que o banco central dos EUA mantenha a taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75% na próxima reunião de política monetária em março, de acordo com a ferramenta FedWatch da CME.

As ações de tecnologia enfrentaram pressão de venda este mês em meio a preocupações com as valuations elevadas e o retorno incerto dos gastos massivos das grandes empresas de tecnologia com IA.

“Há muitas questões em torno da IA e do impacto da disrupção da IA em diferentes setores”, declarou Anthi Tsouvali, estrategista de múltiplos ativos da UBS Global Wealth Management.

Nesta sexta (27), o Dow Jones caiu 1,05%, a 48.977 pontos. O S&P 500 perdeu 0,43%, a 6.878 pontos, e o Nasdaq teve queda de 0,92%, a 22.668 pontos.

O desempenho semanal também foi negativo. O Dow Jones caiu 1,31%, o S&P 500 perdeu 0,42% e o Nasdaq recuou 0,95%.

E o desempenho mensal seguiu a mesma linha e ficou no vermelho. O Dow Jones caiu 0,05%, o S&P 500 recuou 1,40% e o Nasdaq despencou 4,82%.

O rendimento dos títulos do Tesouro americano com vencimento em 10 anos caiu abaixo de 4% e atingiu o nível mais baixo desde outubro, com investidores migrando para títulos. Os preços do petróleo subiram mais de 2%, enquanto as tensões entre os Estados Unidos e o Irã persistem.

Todas as 7 Magníficas encerraram em baixa, exceto pela Amazon e Alphabet.

A Nvidia caiu mais de 4%, apesar do balanço divulgado na quarta-feira (25) ter indicado fortes lucros. A CoreWeave, parceira da fabricante de chips, perdeu mais de 18% após reportar prejuízo.

As ações da Dell subiram mais de 21% após a fabricante de PCs afirmar que espera dobrar a receita do principal negócio de servidores otimizados para IA no ano fiscal de 2027.

A Netflix subiu mais de 13%, a Warner Bros Discovery (WBD) caiu mais de 2% e a Paramount subiu mais de 20%. A Netflix anunciou na quinta-feira (26) que "decidiu não aumentar a oferta pela Warner", após o conselho da WBD determinar que a Paramount apresentou uma oferta "superior".

As ações da Zscaler despencaram mais de 12% após a empresa de segurança em nuvem reportar um prejuízo líquido maior no segundo trimestre.

Os papéis da Block subiram mais de 16% após a empresa de pagamentos anunciar que demitirá quase metade da força de trabalho, como parte do esforço para incorporar inteligência artificial em todas as operações.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, na quinta-feira (26), abordou as preocupações dos americanos de que os Estados Unidos entrem em um conflito prolongado no Oriente Médio, enquanto o presidente Donald Trump continua avaliando a possibilidade de tomar medidas militares contra o Irã. Mais cedo, Trump disse que não tomou uma decisão sobre o Irã, mas alerta que "não está feliz".

Além disso, incertezas tarifárias persistem, desde que a Suprema Corte dos EUA decidiu, por 6 a 3, na sexta-feira (20), que as tarifas impostas por Donald Trump a vários países no ano passado, promulgadas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês), são ilegais.

Com isso, novas tarifas globais dos Estados Unidos passaram a vigorar com alíquota de 10% na terça-feira (24). A medida tem como base legal a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 dos EUA, que autoriza o presidente a impor tarifas de até 15% por até 150 dias para corrigir desequilíbrios na balança de pagamentos ou restrições comerciais, podendo ser prorrogada com aprovação do Congresso americano.

No sábado (21), o presidente Trump havia ameaçado impor uma taxa de 15%.

*Com informações da Reuters

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