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    Ministros pressionam Lula a desistir da meta mas decisão só vem depois do Copom

    Titular da Fazenda, Fernando Haddad, resiste e argumenta que isso vai prejudicar a credibilidade da política econômica e o crescimento

    Raquel LandimDaniel Rittnerda CNN

    em São Paulo e em Brasília

    Ministros vêm pressionando o presidente Luiz Inácio da Silva a desistir da meta fiscal de déficit zero e flexibilizar um pouco para viabilizar mais investimentos em 2024, apurou a CNN.

    O titular da Fazenda, Fernando Haddad, resiste e argumenta que vai prejudicar a credibilidade da política econômica e o crescimento. O envio de qualquer proposta ao Congresso, no entanto, só ocorreria após a próxima reunião do Copom, para não atrapalhar a queda dos juros.

    Em café da manhã com jornalistas, Lula deu sinais de que pode ceder à pressão, mas que ainda vai ouvir Haddad.

    “Tudo que a gente puder fazer para cumprir a meta fiscal a gente vai fazer. O que eu posso dizer é que ela não precisa ser zero. A gente não precisa disso. Eu não vou estabelecer uma meta fiscal que me obrigue a começar o ano fazendo corte de bilhões nas obras que são prioritárias para esse país”, afirmou Lula.

    Ele também disse que o mercado é “ganancioso demais” e “fica cobrando uma meta que eles sabem que não vai ser cumprida”. Mas fez um aceno ao ministro da Fazenda. “Então eu sei da disposição do Haddad, sei da vontade do Haddad, sei da minha disposição”, disse.

    E acrescentou: “Quero dizer para vocês que nós dificilmente chegaremos à meta zero, até porque não quero fazer cortes em investimentos de obras. Se o Brasil tiver um déficit de 0,5% o que é? De 0,25%, o que é? Nada. Praticamente nada. Então nós vamos tomar a decisão correta e vamos fazer aquilo que vai ser melhor para o Brasil”.

    Na visão da equipe econômica, o prejuízo de credibilidade de um eventual descumprimento da meta por uma margem estreita é muito menor do que uma mudança formal – até porque o arcabouço fiscal já tem espaço para isso.

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