Chefe de IA da Microsoft alerta sobre treinamento do Claude, da Anthropic

Mustafa Suleyman afirmou que o foco é "tentar controlar uma superinteligência"

Por Jeffrey Dastin, da Reuters
Compartilhar matéria

Mustafa Suleyman, diretor de IA da Microsoft, afirmou que ​compartilha do foco da Anthropic no ​gerenciamento seguro da IA, mas alertou para os riscos na forma como a empresa rival treina seu chatbot Claude com conceitos relacionados à consciência e aos interesses de bem-estar.

Suleyman defendeu a remoção de toda especulação sobre consciência dos documentos de treinamento de IA, argumentando que tal ⁠linguagem poderia comprometer a ​capacidade da humanidade de controlar sistemas superinteligentes.

“Estamos todos focados ​no mesmo objetivo, que é tentar controlar uma superinteligência”, disse Suleyman ⁠à Reuters em uma entrevista na ⁠terça-feira. “Acho que esse será o maior desafio que enfrentaremos ​no ‌Século 21".

O executivo afirmou que ensinar ao Claude que ele poderia ⁠merecer bem-estar “tornaria muito mais difícil desligá-lo ou controlá-lo”.

A controvérsia surge em um momento em que aumentam as preocupações com a segurança da IA. O CEO ‌da ⁠Anthropic, Dario Amodei, ‌defende um ritmo mais lento no desenvolvimento de modelos de ponta para permitir que as medidas de segurança acompanhem o avanço, enquanto o CEO da OpenAI, Sam Altman, e ⁠Elon Musk também pedem maior cautela em relação aos sistemas mais poderosos.

Suleyman, em um ‌artigo publicado nesta quarta-feira (16), reconheceu a “seriedade e boa-fé” da Anthropic, referindo-se a Amodei e sua equipe como pesquisadores ponderados e com princípios, que se preocupam genuinamente com o futuro da humanidade.

Ele também afirmou que ‌a Anthropic cometeu um erro ao incorporar especulações sobre a consciência nos materiais de treinamento do Claude, argumentando que as afirmações ⁠do modelo sobre possíveis sentimentos ou status moral não podem ser tratadas como evidências independentes, pois seu treinamento incentiva tais reflexões.

“Acho que eles ​têm boas intenções e estão realmente tentando trabalhar em prol da segurança. ​Mas acho que cometeram um erro”, disse ele. “Essas reflexões não surgem naturalmente. Elas surgem como resultado do regime de treinamento".

Acompanhe Economia nas Redes Sociais