Chip próprio da OpenAI acirra disputa com Nvidia no setor de IA
O novo chip pode reduzir custos e atender a uma demanda crescente por processamento, impulsionando a adoção de soluções

A OpenAI divulgou, nesta quarta-feira (26), os primeiros resultados dos testes com o Jalapeño, seu primeiro chip voltado à inferência de IA (Inteligência Artificial). Os dados apontam avanços no desempenho, com maior eficiência energética e respostas mais rápidas.
Segundo a empresa, o chip consegue processar mais tarefas de IA por unidade de energia, além de oferecer maior taxa de transferência e menor latência em uma mesma arquitetura. Sistemas de hardware já existentes, por outro lado, costumam exigir um equilíbrio entre esses fatores.
Os resultados também colocam a OpenAI em uma disputa mais direta com a Nvidia, principal fornecedora de chips para inteligência artificial. Nos testes, o Jalapeño superou sistemas da Nvidia em desempenho por watt e latência em diferentes modelos.
No Kimi K2.5 1T, por exemplo, o chip apresentou cerca de 1,5 vez mais desempenho por watt e latência de ponta a ponta 3,4 vezes menor que o sistema de comparação.
Apesar dos resultados, a OpenAI afirma que continuará usando aceleradores da Nvidia e de outros parceiros para treinamento e inferência. A empresa pretende incorporar o Jalapeño à própria infraestrutura de computação até o fim de 2026, enquanto prepara novas gerações do chip.
Os testes foram conduzidos no InferenceX, benchmark público da SemiAnalysis que avalia todo o processo de atendimento de uma requisição de IA. O Jalapeño apresentou uma combinação superior de desempenho, eficiência e latência nos testes.
A OpenAI afirma que o chip tem potência de até 700 watts, embora o consumo sustentado tenha ficado em 550 watts ou menos nas cargas avaliadas. Nos testes com GPT-OSS 120B, DeepSeek R1 670B e Kimi K2.5 1T, o Jalapeño apresentou resultados competitivos.
IA no desenvolvimento do Jalapeño
A inteligência artificial também teve papel direto no desenvolvimento do chip. De acordo com a OpenAI, a tecnologia ajudou a equipe a passar do projeto inicial à fabricação em nove meses, com ciclos mais curtos de projeto, medição e verificação.
O Jalapeño foi desenvolvido com uma arquitetura previsível para humanos e sistemas de IA, com uso de tensores locais, comunicação explícita e sincronização previsível. A estrutura permite que a IA otimize a distribuição, o posicionamento e o agendamento das tarefas no sistema.
Eficiência na inferência
Para a OpenAI, o Jalapeño pode aumentar a capacidade de atendimento sem exigir o mesmo crescimento na infraestrutura. A empresa aposta que o ganho de eficiência pode reduzir o custo por resultado e ampliar a capacidade de oferecer modelos e produtos de IA em escala.


