Do câmbio à logística, empresas ampliam uso de agentes de IA

Executivos relataram aplicações da tecnologia em áreas como finanças, compras, RH e transporte durante o Comex Tech Forum 2026

Adriana De Luca, da CNN Brasil, em São Paulo
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Empresas de diferentes setores estão ampliando o uso de agentes de inteligência artificial para automatizar tarefas operacionais, analisar dados e acelerar processos. Os exemplos foram apresentados por executivos durante o Comex Tech Forum 2026, evento voltado a tecnologia, inovação e comércio exterior realizado nesta quarta-feira (2), em São Paulo.

Diferentemente de ferramentas de inteligência artificial usadas apenas para consultas ou geração de conteúdo, os chamados agentes de IA são desenvolvidos para executar tarefas a partir de comandos e informações disponíveis, com diferentes níveis de autonomia e supervisão humana.

No Banco do Brasil, um agente autônomo passou a ser utilizado no processo de câmbio. Segundo Juliano Marcatto, head global de Negócios e Soluções Internacionais do banco, a tecnologia ajudou a reduzir de 40 minutos para quatro minutos o tempo de processamento de uma negociação de câmbio.

De acordo com o executivo, o agente reúne documentos e informações e as consolida para apoiar a análise. A decisão final, porém, continua sob responsabilidade de um profissional.

“A decisão sempre vai ser tomada por um profissional humano”, afirmou Marcatto. Segundo ele, a tecnologia é usada para dar agilidade ao processo e liberar os funcionários para decisões estratégicas e análise de risco.

No iFood, a adoção ocorre em escala ainda maior. Camila Pinto, HR and Partner da empresa, afirmou que foram criados 12 mil agentes de IA em seis meses.

Segundo ela, a estratégia é permitir que os próprios funcionários identifiquem tarefas que podem ser automatizadas. A ideia é retirar do profissional parte das atividades operacionais e liberar tempo para trabalhos considerados de maior valor, como criação, colaboração e tomada de decisões.

Camila também relatou o caso de uma equipe que realizava tarefas administrativas e que, após a implementação de uma solução de inteligência artificial, pôde ser realocada para projetos relacionados à própria tecnologia.

Na logística, a aplicação ocorre principalmente na análise e conferência de documentos. Carlos Ralph, sócio-proprietário da CSS, afirmou que a empresa utiliza servidores exclusivos para operar ferramentas de IA e alimenta os sistemas com documentos, procedimentos e informações da rotina.

Segundo ele, a tecnologia passou a fazer relatórios, checagens e sugestões de correção em processos de importação e exportação, atividades que antes dependiam exclusivamente de trabalho manual.

Na área de compras, a MANN+HUMMEL utiliza agentes para coleta e análise de dados de commodities. André Rodrigues, responsável por Procurement América Latina, afirmou que a empresa trabalha com mais de 13 commodities e que os agentes são especializados para diferenciar cada uma delas e dar mais agilidade às análises.

A tecnologia também vem sendo usada para pesquisa e homologação de fornecedores. Na Integralmédica, a diretora de Supply Chain & Operações, Vanessa Casachi, afirmou que a IA pode ajudar a localizar fornecedores, reunir contatos e até comparar especificações de produtos.

Ela ressaltou, porém, que a decisão continua sendo humana, especialmente em setores que exigem avaliação presencial dos fornecedores.

Segurança e supervisão

A expansão dos agentes também aumenta a preocupação com segurança, governança e proteção de dados.

Rodrigues afirmou que a MANN+HUMMEL trabalha com as áreas de TI e jurídica para definir limites para o uso da tecnologia. Segundo ele, dados financeiros e informações submetidas a regras de compliance exigem controles específicos.

No Banco do Brasil, Marcatto também destacou a existência de uma política de ética e governança para o uso de inteligência artificial.

Para os executivos ouvidos no evento, a tendência é que os agentes assumam uma parcela crescente das atividades operacionais, enquanto os profissionais permaneçam responsáveis por decisões de maior complexidade, supervisão e análise de riscos.

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