Em meio à ameaça de Trump, Lula diz que Brics está "incomodando"
Presidente dos EUA ameaçou aplicar tarifas de 10% contra todos os países que se alinharem às "políticas antiamericanas" do bloco
Em discurso durante encerramento da cúpula de líderes do Brics, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o bloco está "incomodando" por propor mudanças de ordem global.
A fala ocorre também após a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifas de 10% contra todos os países que se alinharem às "políticas antiamericanas" do Brics.
"É preciso que a gente no Brics crie um sistema de discussão em que todos possam ter acesso à [IA] inteligência artificial, ela não pode ser uma coisa de dominação, de meia dúzia de empresas que vão controlar os dados no mundo, quando, na verdade, os estados que devem garantir que não a use para contar mentiras e inverdades. Eu acho que por conta disso o Brics está incomodando", afirmou Lula nesta segunda-feira (7).
O presidente brasileiro voltou a defender um "novo sistema financeiro no mundo", pedindo por maior inclusão dos países emergentes nos organismos internacionais.
"Se a gente quiser criar alguma coisa nova no mundo, a gente vai ter que criar novos paradigmas de participação e não pode repetir os mesmos erros. A gente não quer mudança no FMI [Fundo Monetário Internacional] porque eu não gosto do FMI, a gente quer mudança para o FMI ser um banco de investimento para atender a necessidade dos países mais pobres", expôs Lula.
"Não é para emprestar dinheiro e os países irem à falência como tem acontecido. O modelo de austeridade que tem sido feito com os outros países é fazer com que a dívida seja impagável cada vez mais. O que nós queremos mudar é criar um sistema financeiro, e o Banco dos Brics serve de modelo, para que a gente possa criar um novo tipo de financiamento. [...] O que não pode é a gente continuar com a mesmice de sempre."
Não é a primeira vez que Trump direciona ameças ao Brics por buscar alternativas ao dólar. Exatamente por conta da tensão, os participantes da cúpula deste ano buscaram evitar da discussão sobre a criação de uma moeda comum ao grupo.
Ainda assim, os países-membro se pronunciaram criticamente ao posicionamento do presidente norte-americano.
Em seu discurso final, Lula afirmou que a desdolarização do comércio global "é um caminho sem volta".
Publicado por Pedro Zanatta, da CNN, em São Paulo


