Escassez de diesel pode persistir até boa parte de 2027, diz AIE

Membros da agência estão coordenando a liberação de 100 milhões de barris de petróleo e diesel das reservas de emergência, numa tentativa de acalmar os preços, em meio a crescentes pressões políticas e ‌econômicas

Por Robert Harvey, da Reuters

A escassez de diesel pode persistir até bem adiante no próximo ano, já que conflitos restringem a produção ​no Oriente Médio e na Rússia, enquanto os preços em níveis ​recordes estimulam a redução dos estoques antes do pico da demanda no inverno, afirmou a AIE (Agência Internacional de Energia) nesta quarta-feira (14).

As margens de refino do diesel -- o prêmio do combustível em relação ao petróleo bruto -- dispararam para níveis recordes de quase US$ 95 por barril em setembro, à medida que a redução da capacidade de refino, causada por ataques à infraestrutura energética ligados às guerras no Irã e na Ucrânia, afetou a produção.

“Os preços recordes do diesel ⁠já estão causando amplas consequências econômicas, elevando o ​custo dos produtos e afetando a renda real, a atividade econômica e a inflação”, afirmou a IEA, ​que assessora países industrializados, em seu relatório mensal sobre o mercado de petróleo.

Recuperação do refino não compensará o déficit

A ⁠IEA espera uma recuperação nas operações globais das refinarias no ⁠final deste ano, o que começaria a reabastecer os estoques.

Ainda assim, isso será insuficiente ​para ‌compensar o déficit acumulado nos mercados de destilados médios neste ano, afirmou a agência. O diesel, o gasóleo e o ⁠combustível de aviação se enquadram na categoria de destilados médios.

Os membros da IEA estão coordenando a liberação de 100 milhões de barris de petróleo e diesel das reservas de emergência, numa tentativa de acalmar os preços, em meio a crescentes pressões políticas e ‌econômicas. ⁠

O diesel é um ‌combustível considerado essencial, amplamente utilizado na indústria, na agricultura e no setor automotivo.

As perdas combinadas nas exportações de diesel do Oriente Médio e da Rússia totalizaram 1,3 milhão de barris por dia em setembro, informou a agência.

“Os mercados de diesel permaneceram sob ⁠pressão significativa, já que interrupções prolongadas no abastecimento forçaram retiradas ⁠de estoque contrárias à sazonalidade antes da manutenção das refinarias no outono e do pico de demanda no inverno”, afirmou a IEA.

Prevê-se que a demanda ‌global total por petróleo caia 2,6 milhões de bpd em 2026, sendo que 25% dessa queda será proveniente do diesel, informou a IEA.

Enquanto isso, a IEA prevê que a oferta global de petróleo cairá 5,8 milhões de bpd este ano, antes de reverter a tendência e aumentar 7,7 milhões de bpd em 2027, levando o mercado global de ‌petróleo de volta ao superávit.

Liberação de reservas desacelerou

O ritmo das liberações de reservas, que em março totalizou 400 milhões de barris como parte do acordo coordenado pela IEA, desacelerou para cerca de 270 mil bpd em setembro, caindo de ⁠uma média de 2,2 milhões de bpd no período de março a junho.

Um total de 331 milhões de barris das reservas de emergência previstas nesse acordo havia sido liberado até o final de setembro, informou a IEA, com a Europa ainda ​por liberar 46 milhões de barris, as Américas 40 milhões e a Ásia-Oceania os 10 milhões restantes.

Dos cerca de 1 bilhão ​de barris em reservas governamentais mantidas pelos países-membros da IEA, mais de 200 milhões de barris são de diesel.

As reservas são amplamente consideradas o amortecedor do mercado de petróleo contra eventos externos ou choques de preços, o que significa que as retiradas das reservas estão deixando reservas menores para choques futuros.

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